A São Paulo irregular, que cresceu nas franjas, aos poucos ganha jeito de cidade séria. Vielas viram ruas, ruas recebem asfalto, calçadas e guias.

De um lado, só imóveis pares e do outro, os ímpares - antes cada um escolhia um numeral e coitado do carteiro. Os moradores se transformam em cidadãos com imóvel registrado no cartório e um CEP de verdade.

Em 2008, 71 loteamentos foram regularizados, o maior número dos últimos 13 anos, desde as Leis nº 11.775/95 e nº 13.428/02, que permitiram que lotes particulares recebessem obras públicas. Somados os últimos quatro anos, 130 loteamentos precários, ocupando 6,3 quilômetros quadrados, ficaram dentro da lei.

Perto do tamanho da encrenca, parece uma gota dágua: existem 1.108 loteamentos irregulares precários em uma área de 97,5 km². A promessa da Prefeitura é a de que em 12 anos tudo esteja regularizado. Isso exigiria uma média de 92 regularizações por ano. Neste momento, 59 deles (onde vivem 115 mil pessoas) estão em obras, ocupando 4,7 km². Se as empreiteiras não atrasarem, as aglomerações ficarão com cara de bairros ainda no primeiro semestre.

O aumento de regularizações ocorreu com o Habisp, um banco de dados da Secretária de Habitação que mapeia as moradias. Ele permite que o poder público planeje com precisão a política habitacional. Começou a ser criado em 2005 e no ano passado se tornou público (www.habisp.inf.br).

Dos 1.108 parcelamentos precários, 41 têm vulnerabilidade muito alta, 469 estão em área de manancial, 551 não contam com esgoto, 668 vivem sem luz na rua e 442 são desprovidos de asfalto. Socorro tem o maior número deles, 132, seguido de Guaianases, MBoi Mirim, Pirituba, São Mateus e Tremembé. Essas seis subprefeituras concentram metade das aglomerações aos pedaços.

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