Cresce o serviço de van e mototáxis nas cidades

Pesquisa revela ainda que apenas 29,2% afirmaram se preocupar em ter uma frota adaptada com segurança para pessoas com deficiência

Camila Nascimento, iG São Paulo |

IBGE mostra o retrato dos municípios brasileiros. Veja principais dados

Vans e mototáxis são os meios de transporte cada vez mais usados nas cidades. É o que aponta a pesquisa Perfil dos Municípios Brasileiros divulgada nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

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Van em ponto de ônibus de Niterói
Segundo o levantamento, em 2008, 59,9% dos municípios tinham serviço de transporte de van e 52,7%, de mototáxis. Em 2009, esse índice aumentou para 66,7% e 53,9%, respectivamente. Mesmo entre as cidades com mais de 500 mil habitantes, o percentual é maior comparando os dois anos – houve um aumento de 3,9 pontos percentuais no serviço de mototáxi e passou de 73% para 80% o transporte por vans nesses municípios.

Percebe-se, porém, uma maior presença no serviço de mototáxi nas cidades com população entre 20 mil e 100 mil habitantes, onde o percentual chega a 71,8%.

Para Gilberto Almeida dos Santos, presidente da Federação Brasileira dos Motociclistas e Ciclistas Profissionais (Febramoto), o aumento do número de mototaxistas no País vem para suprir problemas de governos e prefeituras. "A categoria nasceu pela deficiência do transporte de qualidade. Muitas cidades pequenas só têm essa opção de locomoção. E ainda é um transporte mais barato. Sou nordestino e sei que em muitas cidades dessa região, as motos estão substituindo o transporte animal".

A profissão de mototaxista foi sancionada no ano passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pela lei federal, os municípios têm autonomia para regulamentar a profissão de mototaxista. O assunto ainda é polêmico entre os gestores - principalmente nas grandes cidades. Em São Paulo, por exemplo, prevalece uma lei de 1998 que proíbe o uso de motos para o transporte remunerado de passageiros. No Rio de Janeiro, onde o serviço também é proibido, estima-se que quase 2 mil mototaxistas trabalhem de forma ilegal.

O presidente da Febramoto concorda com a proibição da regulamentação da profissão de mototaxistas em grandes centros urbanos. "Nas cidades pequenas, não tem problema. Mas nas cidades grande é muito perigoso. Em São Paulo, por exemplo, temos 800 mil motos trafegando. Seriam 1,6 milhão de pessoas em uma condição que hoje é de risco", afirmou Santos.

Arte/iG
Táxi ainda é o meio de transporte mais presente nos municípios

A pesquisa revela também que o táxi ainda é o meio de transporte mais presente nas cidades brasileiras – 80,8% delas. Porém, registrou-se pela primeira vez uma pequena queda, se comparado com 2008, quando 81,5% dos municípios apresentavam esse tipo de locomoção.

Já quanto aos ônibus, aumentou de 1674 para 2018 o número de municípios que oferecem o serviço. O metrô, por ser um meio de transporte de massa, está concentrado nas cidades com mais de 500 mil habitantes. No ano passado, 22,5% tinham este tipo de transporte contra 29,7%, em 2008.

Acessibilidade

Pela primeira vez, os prefeitos foram questionados se levam em consideração o critério acessibilidade nas concessões, permissões ou autorizações para exploração do transporte de ônibus nas cidades. Segundo o levantamento, menos de um terço dos prefeitos considera este ponto no momento de conceder a uma empresa o direito de fazer o transporte coletivo por ônibus no município. Apenas 29,2% afirmaram se preocupar em ter uma frota adaptada com segurança para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Destas 1625 cidades que assim agem, 76,7% estão no Sudeste e Sul.

A pesquisa revelou ainda que, apesar de ser considerado um serviço essencial, diminuiu entre 2008 e 2009 o número de prefeituras que possuem uma estrutura para tratar da política de transporte. No ano passado, 75,5% das cidades – uma redução de 1,4 ponto percentual em relação a 2008. Considerando apenas os municípios com mais de 500 mil habitantes, todos têm um órgão para tratar das melhorias no setor de transporte. A região em destaque foi o Nordeste, com 79,7%, seguido pelo Centro-Oeste, 76,8%.

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