Cresce o número de empregados com carteira de trabalho assinada, aponta Pnad

O Brasil registrou, em 2008, um recuo no número de pessoas sem ocupação. Mais do que isso: cresceu os empregados com carteira de trabalho assinada, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Redação |

Pode-se dizer que esse resultado é a pura consequência do cenário econômico favorável no País, disse a analista do Pnad, Adriana Beringuy.

O número de pessoas ocupadas no Brasil, em 2008, somava 92,4 milhões ¿ um crescimento de 2,8% em relação ao ano anterior. O índice de empregados com carteira de trabalho assinada, de 2007 para 2008, cresceu 7,1%. Assim, a participação dos empregados com carteira no total de ocupados no País passou de 33,1% para 34,5%.

Para o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, o aumento se deve principalmente ao papel da micro empresa. "São sinais de retomada de invetimento e estão relacionados à maior expansão do emprego na micro e pequena empresa, especialmente com a formalização deste seguimentos", analisa.

A região Sudeste é a que apresenta o maior número de pessoas em idade ativa (pessoas com 10 anos ou mais) trabalhando, com 39,4 milhões. Já a Norte é a que registra a maior taxa de crescimento das pessoas ocupadas, passando de 6,6 milhões, em 2007, para 6,9 milhões.

Desemprego

A taxa de desocupação ¿ percentual de pessoas desocupadas em relação à população economicamente ativa ¿ caiu de 8,1% para 7,1%. A taxa de desocupação ficou maior que a nacional nas regiões Nordeste (7,5%), Sudeste (7,8%) e Centro Oeste (7,5%). Já nas regiões Norte e Sul ficou em 6,5% e 4,9%, respectivamente. 

Os maiores percentuais de pessoas ocupadas são nos grupos etários de 30 a 39 anos (24,1%) e de 40 a 49 anos (21,3%). Segundo o IBGE, houve redução na participação do grupo entre 10 e 14 anos na PIA, passando de 1,8% para 1,4%, e aumento dos grupos de 50 a 59 anos (12,9% para 13,4%) e de 60 ou mais (de 6,6% para 6,9%).

Sobre a taxa de desocupação, Pochmann analisa que poderia ser menor, não fosse a crise econômica. "A crise impôs um aumento da capacidade osciosa e uma infecção nos investimentos", afirma.

Atividade

A Pnad mostrou que, dos 92,4 milhões de pessoas ocupadas em 2008, 58,6% (54,2 milhões) eram empregados; 7,2% (6,6 milhões de pessoas), trabalhadores domésticos; 20,2% (18,7 milhões de pessoas) trabalhavam por conta própria; 4,5% (4,1 milhões de pessoas), empregadores; 5,0% (4,6 milhões de pessoas), trabalhadores não remunerados; 4,4% (4,1 milhões de pessoas), trabalhadores na produção para o próprio consumo e 0,1% (0,1 milhão de pessoas), trabalhadores na construção para o próprio uso. 

Afastada do mercado de trabalho há quase 30 anos e já aposentada, Yara Gibin decidiu voltar ao trabalho aos 59 anos. A dona de casa é, desde janeiro de 2009, revisora gramatical e tradutora de textos em inglês e português. O salário não é muito porque eu trabalho 40 horas por mês por R$ 400, mas já ajuda bastante, alegra-se.

Yara parou de trabalhar para cuidar dos três filhos e, agora que a mais nova está com 26 anos, pôde aceitar o emprego fixo, mesmo que sem carteira assinada. Eu pensei que não fosse durar por causa da crise, mas até agora está tudo bem, conta.

Previdência

Mais da metade das pessoas com trabalho em 2008 contribuíram para a Previdência Social. Segundo a Pnad, eram contribuintes 52,1% da população ocupada ou 48,1 milhões de pessoas, do total de 92,4 milhões com trabalho no país.

O percentual de contribuintes cresceu 5,9% em relação a 2007 (50,6%). De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o avanço é reflexo do aumento do número de carteiras de trabalho assinadas.

À medida que o emprego com carteira aumenta, necessariamente, a contribuição previdenciária aumenta, explicou a gerente da Pnad, Maria Lucia Vieira, ao lembrar que durante a pesquisa, em setembro, o País não tinha sido impactado pelos efeitos da crise financeira internacional.

A ampliação das contribuições foi observada em todas as regiões. O maior percentual de contribuintes foi registrado no Sudeste (62,9%) e no Nordeste, o menor (33,9%). Com aumento do número de ocupados, a Região Norte registrou o maior crescimento percentual de contribuintes de 36,8% para 39,7%.

iG

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