SÃO LUÍS - Está crescendo o uso de drogas em São Luís. A afirmação é baseada na quantidade de apreensões feitas este ano pelo Departamento de Narcotráfico (Denarc). Foram 120 quilos de entorpecentes apreendidos nas operações de combate ao tráfico de drogas realizadas pelo departamento. Devido à intensificação dos trabalhos, mais de 200 inquéritos foram instaurados e 190 pessoas foram autuadas em flagrante e presas. A principal droga usada é a merla, segundo o jornal O Imirante.

Segundo o delegado do Denarc, Couto Junior, o crescimento no número de apreensões é fruto das investigações que vêm sendo realizadas nos bairros onde a comercialização de entorpecentes é mais intensa. Primordialmente, nós estamos focados na identificação dos traficantes. Temos uma lista com alguns nomes, e continuamos fazendo esse mapeamento. O importante é que mais de 150 traficantes foram retirados de circulação, relatou o delegado. Ele afirmou ainda que o tráfico de drogas na capital está sendo feito de forma descentralizada. Geralmente, nos bairros com grande incidência de tráfico, há mais de uma pessoa atuando. A venda de drogas está diversificada. Com o trabalho de investigação, nós estamos notando essa tendência. Não existe mais aquele traficante que domina um bairro todo. Ninguém quer ficar conhecido como o único fornecedor do local, explicou.

Um dado que vem chamando a atenção dos agentes do Denarc é o aumento no consumo da merla (subproduto da cocaína). Dos 120 quilos de entorpecentes apreendidos este ano, 80 foram desta droga. Para o delegado Couto Junior, por ser mais barata e ter o poder de alucinação maior que as outras, ela tornou-se bastante procurada. A merla ocupou o espaço que antes era da maconha. Um saquinho dessa droga chega a custar menos que R$ 5,00. Existem pessoas consumindo merla com a maconha, complementou.

Dos 190 presos em flagrante pelo Denarc, 40 eram mulheres. Na maioria das vezes, elas são usadas pelos companheiros presos ou com mandato de prisão decretado para a comercialização da droga. A ousadia dos traficantes vai além da utilização do sexo feminino no tráfico de drogas. Muitos estão colocando gestantes para vender os entorpecentes, com o intuito de sensibilizar a polícia. Até idosas fazem parte da artimanha dos criminosos nesse tipo de comércio ilegal. Geralmente, essas mulheres vendem a droga para manter a família, já que o companheiro não está ganhando dinheiro. Eles usam qualquer tipo de mecanismo para driblar a polícia. Mas nós estamos contando com a colaboração da população, que sempre informa quais são as mulheres que fazem parte do tráfico, disse Couto Junior.

O delegado ressaltou ainda o poder de coação da polícia dentro dos principais focos de vendas de intorpecentes. Nós temos um poder de ação muito grande dentro desses bairros. Não existe lugar que a polícia não entre. Com a ajuda da população, que não compactua com esse tipo de crime, estamos agindo direto no foco do problema, enfatizou.

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