O número de médicos em atividade no Brasil cresceu 27% entre 2000 e 2009, de acordo com levantamento feito pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). O porcentual de aumento foi maior do que o registrado na população em geral no período: 12%.

"Os números mostram que não há falta de profissionais no País. O que há é uma desigualdade na distribuição", assegura o médico Desiré Callegari, 1º secretário da entidade.

Pelos cálculos do CFM, a relação atual é de um médico para cada 578 habitantes. Situação melhor da que é encontrada no Chile, onde a proporção é de 1 profissional para cada 917 pessoas. "Os números gerais são bons, mas a desproporção é muito significativa", diz Callegari. Na cidade de São Paulo, por exemplo, há um profissional para cada 239 habitantes. No interior de Roraima, a situação é oposta: um profissional para cada 10.306 moradores.

O trabalho mostra que a Região Sudeste concentra 42% da população do País e 55% dos médicos. A média é de 439 habitantes por profissional. Na Região Norte, por sua vez, a relação de médico por habitante é quase três vezes maior: um profissional para cada 1.130 moradores.

Callegari avalia que, para combater má distribuição, é preciso a adoção de medidas que garantam a fixação de profissionais em áreas distantes do País. "A criação de uma carreira de Estado, a exemplo do que ocorre com juízes e promotores, seria uma delas", defende o médico.

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