Cresce número de estrangeiros em busca de tratamento médico no País

A medicina brasileira entrou no roteiro de turistas estrangeiros e, só no último ano, os hospitais privados com tratamentos de ponta na capital paulista registraram aumento de até 80% no volume de atendimento de pacientes internacionais. Se antes apenas a cirurgia plástica “made in Brazil” estava na vitrine de procedimentos atrativos, agora a oncologia, a ortopedia, a odontologia e a cardiologia dividem espaço nos tratamentos solicitados pelos gringos.

Agência Estado |

O setor ganhou tanta força que o próprio governo federal organizou o chamado “Turismo Médico”. Em São Paulo, são quatro hospitais credenciados para receber os pacientes de fora do País: Sírio-Libanês, Albert Einstein, Samaritano e Hospital do Coração (HCor), todos certificados por organizações internacionais. Norte-americanos, alemães, franceses, angolanos e até dinamarqueses são alguns dos estrangeiros que escolheram os hospitais daqui como destino para tratar a saúde.

No Sírio-Libanês, que registrou escalada de 62% de pacientes internacionais atendidos entre 2007 e 2008, foi investido R$ 1,6 milhão em cursos de idiomas para 600 funcionários atenderem melhor a clientela. “Fechamos o ano passado com 1.500 pacientes internacionais atendidos. Em 2006, tínhamos parceria com quatro operadoras de saúde internacionais. Hoje são 37”, comemora Deise de Almeida, superintendente comercial e de marketing do Sírio.

Para dar conta do aumento de demanda, a unidade deve inaugurar, em fevereiro, uma sala exclusiva para recepcionar os estrangeiros e ampliar o programa já existente de telemedicina para que o corpo clínico brasileiro troque informações com os médicos internacionais, além de ampliar os pacotes que já definem tempo de permanência e exames realizados.

Preço e qualidade

A receita de sucesso para atração dos estrangeiros é explicada por Paulo Ishibashi, diretor comercial do Einstein, que no ano passado atendeu 3.500 estrangeiros, 12% a mais do que em 2007. Resume-se a dois ingredientes: preço e qualidade. “Fizemos um mapeamento recente e as motivações variam de acordo com a região de origem. Enquanto nos Estados Unidos a maior parte dos procedimentos não é coberta pelas operadoras de saúde, na Europa e no Canadá o problema são as longas filas do sistema público de saúde”, diz Ishibashi.

No entanto, o termo turista em saúde é rejeitado pelos médicos. No HCor, onde os 84 pacientes estrangeiros recebidos em 2008 configuram aumento de 83% em um ano, a motivação é a chance de sobrevivência, já que as cirurgias cardíacas são os procedimentos mais procurados, informa a gerente da área Fernanda Crema. Tratamentos cardiológicos também ajudaram a impulsionar em 70% os atendimentos internacionais no Hospital Samaritano.

Fernanda Aranda

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