Assim como a doação de órgãos, o consentimento para doar um corpo para pesquisas depende da família. Mesmo assim, a conscientização sobre a importância do ato para a formação médica vem fazendo com que mais pessoas manifestem e registrem em vida o desejo.

Faltam dados nacionais, mas em algumas instituições já se percebe o aumento do interesse, que pode ser impulsionado a partir do próximo ano, quando a Sociedade Brasileira de Anatomia (SBA) deve lançar uma campanha nacional de estímulo às doações.

A regulamentação para a prática existe desde 1992 e é a mesma que normatizou o envio de corpos não reclamados aos cursos de Medicina. No prazo de 30 dias, as faculdades interessadas no cadáver não reclamado devem publicar - em dez dias alternados - a informação da existência e disponibilidade do corpo. A lei, dizem os médicos, colocou fim à desorganização que imperava no setor.

O presidente da SBA, Richard Halti Cabral, explica que o número de cadáveres não reclamados diminui a cada ano. Provavelmente, porque diminui também o número de pessoas em situação de indigência ou melhoram os canais para avisar as famílias sobre a morte de parentes, mesmo quando estão distantes, aponta Cabral. Para piorar, o número de faculdades de Medicina tem aumentado. Daí a necessidade de estimular a doação de corpos. Em média, um corpo permanece em laboratório por cinco anos.

Nos últimos anos, campanhas esporádicas e isoladas colaboraram para aumentar os números. No Paraná, a Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Estadual de Maringá (UEM), Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) se uniram para criar, em 1999, uma comissão para cadastrar os doadores. Desde então, 40 pessoas registraram em cartório a vontade de deixar seus corpos para estudo e 30 já foram entregues à comissão. A iniciativa teve a parceria do Ministério Público Estadual. Funciona como uma lista única que organiza as doações para as faculdades, explica o presidente da comissão, José Geraldo Calomeno.

Em Brasília, a iniciativa partiu do próprio Ministério Público. Três das quatro instituições que têm cursos de Medicina na cidade recebem corpos (doados espontaneamente ou não reclamados) de acordo com lista única, dividida em três filas - doador adulto masculino, feminino e infantil. De acordo com o promotor Diaulas Ribeiro, desde que o sistema foi criado nenhum dos três cursos de Medicina teve problemas de falta de cadáveres para as aulas. Até agora, 30 pessoas já manifestaram a vontade de deixar seus corpos para as pesquisas. Aqui, as universidades não têm dificuldades, não existe falta de corpos para as aulas e não existe dinheiro nesse processo, afirma Ribeiro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

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