Em meio a rumores sobre a possível quebra de vários bancos regionais, o presidente George W. Bush veio a público para tranqüilizar os correntistas americanos.

"O sistema bancário é sólido", disse Bush em entrevista na Casa Branca. "E, se você tem um depósito em um banco comercial, seu depósito é garantido em até US$ 100 mil. Minha esperança é que as pessoas respirem fundo e se dêem conta de que seus depósitos estão protegidos pelo governo."

Na sexta-feira, o IndyMac, banco californiano que perdeu muito dinheiro com empréstimos imobiliários de risco, sofreu intervenção do Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC), órgão garantidor de contas bancárias. Em caso de quebra, o FDIC cobre depósitos até US$ 100 mil e US$ 250 mil em contas de aposentadoria.

O FDIC está monitorando 90 bancos americanos, muitos deles sobrecarregados com títulos de hipotecas subprime e com dificuldades para captar recursos no mercado. Mas a entidade admite que o número pode ser maior. O IndyMac, por exemplo, não estava na lista e quebrou após uma corrida dos correntistas. Neste ano, cinco bancos quebraram - quatro pequenos e um médio, o IndyMac. No ano passado, foram três.

As ações dos bancos regionais continuaram caindo ontem - as do Fifth Third Bancorp recuaram 3,2%, as do National City despencaram quase 11%. As ações do Wachovia Corp caíram 7,7%, depois de serem rebaixadas pela corretora Oppenheimer. Já haviam recuado 75% neste ano.

Um relatório do BNP Paribas de ontem indica que um número crescente de bancos está se desfazendo de ativos, porque não consegue levantar recursos pelas vias tradicionais.

Os bancos estão vulneráveis porque precisam cobrir as perdas com títulos lastreados em hipotecas de alto risco, mas as fontes tradicionais de financiamento dos bancos secaram. A inadimplência em financiamentos imobiliários, de automóveis e cartão de crédito vem aumentando desde 2007.

Como os bancos não conseguem receber esses pagamentos, isso atinge a capacidade de honrarem os depósitos de seus correntistas. Para compensar as perdas com os financiamentos, precisam levantar recursos de outras maneiras. Mas o mercado de crédito secou.

A presidente do FDIC, Sheila Bair, afirmou ontem que "o sistema bancário como um todo é absolutamente seguro". Ela admite que outros bancos devem quebrar este ano, mas afirma que não haverá quebradeira em grande escala. "Existem 8,5 mil bancos. O IndyMac é um."

"Eu não nego que os bancos estejam enfrentando problemas neste momento", disse Sheila. "Mas nenhum correntista perdeu um centavo de suas contas nos 75 anos de história do FDIC."

Alguns analistas não estão tão tranqüilos. Nouriel Roubini, presidente da RGE Monitor e professor da New York University, diz que o FDIC terá de ser recapitalizado de alguma maneira para dar conta da quebradeira que vem por aí. Só a intervenção no IndyMac vai custar entre US$ 4 bilhões e US$ 8 bilhões, ou seja, cerca de 10% dos US$ 53 bilhões do fundo de garantias do FDIC.

Os recursos do FDIC vêm de contribuições dos bancos. "Existem centenas de bancos com uma enorme exposição ao mercado imobiliário, e muitos vão quebrar", diz Roubini, conhecido por seu pessimismo. As informações são do O Estado de S. Paulo

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