O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) abriu nesta quarta-feira uma sindicância para investigar se houve indícios de infração ética que poderia ter sido cometida pelo médico José Carlos Faes Silva, que realizou três cirurgias plásticas na dona de casa Adriane Mabi Iafrate, de 35 anos, no Hospital das Clínicas, há uma semana. Ela http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/03/11/mulher+morre+apos+plastica+no+hc+de+sao+paulo+4681967.htmlmorreu na última segunda-feira de infecção generalizada, segundo nota oficial da Secretaria de Estado da Saúde.

Adriane foi enterrada nesta quarta-feira no Cemitério São Pedro, na zona sul. As causas da morte, ainda indeterminadas, serão apuradas pela Secretaria da Segurança Pública. Um laudo do Instituto Médico Legal (IML) que vai apontar do que a dona de casa morreu ficará pronto em 30 dias. Por meio de nota oficial, o médico afirmou que a paciente pode ter sofrido uma embolia gordurosa e que a morte foi uma fatalidade.

Faes disse que obteve ontem informação extraoficial, de pessoas que participaram da necropsia feita na dona de casa, de que o exame detectou um comprometimento pulmonar inflamatório, que pode ser indício de pneumonia, tromboembolismo ou embolia gordurosa. Esse fato me deixa tranquilo de que não houve erro médico. Foi um processo inerente ao procedimento cirúrgico. Segundo o médico, a dona de casa foi esclarecida de todos esses riscos antes das cirurgias.

O Cremesp vai solicitar também cópias dos laudos médicos e das receitas, além dos prontuários da paciente, aos dois hospitais onde ela esteve internada na última semana. Se no final do processo, que não tem prazo para ser concluído e vai correr em sigilo, houver provas contra a conduta do médico, poderá ser aberto um processo ético profissional.

Cirurgias

A dona de casa fez lipoaspiração na cintura, levantou os seios, colocou gordura do abdome nos glúteos e reduziu os lábios vaginais. As cirurgias foram feitas no último dia 2 e a paciente teve alta do HC no dia 3. Começou a passar mal no dia seguinte e, no dia 5, já com falta de ar, foi levada ao Hospital São Mateus, perto de sua casa e, à tarde, internada na UTI. Nota oficial divulgada anteontem pelo HC afirmava que ela teria ligado para o médico no dia 4 e que ele teria dito a ela para tomar analgésicos e retornar ao HC, o que não teria ocorrido. A família de Adriane Iafrate, no entanto, contesta essa versão.

Ontem, a sogra da dona de casa, Suely Maria Iafrate, de 57 anos, disse que o médico pediu a Adriane para reforçar as doses dos analgésicos que já estava tomando e que teria dito que, se ela quisesse, poderia retornar ao hospital, mas que não havia necessidade porque o quadro de dor que relatava era normal após cirurgias. É mentira dele que ela tinha retorno marcado e que se recusou a voltar ao hospital, sustenta. Segundo Suely, em nenhum momento o médico desaconselhou Adriane a fazer as três cirurgias juntas.

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