Crédito fica mais caro e escasso em outubro por crise

Por Isabel Versiani BRASÍLIA (Reuters) - A crise financeira global afetou o mercado de crédito brasileiro em outubro, mês em que as novas concessões de financiamento no país amargaram queda de 3,0 por cento e os juros médios cobrados pelos bancos subiram 2,5 pontos percentuais.

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Dados parciais de novembro, contudo, já sinalizam uma recuperação no volume de novos empréstimos, ainda que a taxas mais salgadas, informou o Banco Central nesta terça-feira.

"Em momentos de crise, todo mundo se põe mais conservador. A oferta de crédito caiu e as famílias também retraíram sua demanda por crédito", afirmou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.

Para as pessoas físicas, a queda nas concessões em outubro foi de 3,5 por cento, concentrada principalmente na retração dos financiamentos de veículos --que têm participação elevada no total e caíram 2,3 por cento.

O crédito para as empresas sofreu queda média de 2,8 por cento, com os financiamentos para aquisição de bens caindo 0,7 por cento, o desconto de promissórias, 11,1 por cento, e o hot money (empréstimos de curtíssimo prazo), 4,2 por cento.

No total, as novas operações somaram 157,3 bilhões de reais em outubro, frente a 162,2 bilhões de reais em setembro.

A queda dos empréstimos foi acompanhada por um aumento dos juros. Para as empresas, os financiamentos ficaram, em média, 3,3 pontos percentuais mais caros, enquanto o aumento para as pessoas físicas foi de 1,7 ponto percentual.

A retração das novas concessões não impediu que o estoque total de crédito do sistema financeiro crescesse 2,9 por cento no mês passado, para 1,186 trilhão de reais.

Esse volume corresponde a 40,2 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), nível mais elevado desde o início da série do BC, em julho de 1994. Em setembro, o saldo das operações de crédito do sistema financeiro representava 39,2 por cento do PIB.

NOVEMBRO

Dados preliminares do BC mostram que nos primeiros 12 dias de novembro as novas concessões de financiamento feitas pelos bancos cresceram 5,7 por cento ante o mesmo período de outubro.

Essa elevação ocorreu a despeito de um aumento de 2,1 pontos percentuais na taxa média de juros.

"Ao longo do mês o que se observou é que o crédito voltou a se recuperar... Não se pode dizer que já atingimos a plenitude, que já voltamos ao status pré-crise, mas já estamos muito próximos disso", disse Lopes.

Segundo ele, o encarecimento do crédito tem refletido o conservadorismo das instituições financeiras em meio à crise.

A confiança do consumidor continua abatida e, em novembro, atingiu o menor patamar desde setembro de 2005, segundo levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

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