Crack comercializado no Rio é importado de São Paulo, afirma polícia

Todo o crack comercializado no Rio de Janeiro é importado de São Paulo. A afirmação foi feita pelo titular da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod) do Rio de Janeiro, Marcus Vinícius Braga, ao portal iG. De acordo com o delegado, mesmo com o crescente aumento de apreensões da droga no Rio, ainda não foi encontrado no Estado um laboratório para o refino do entorpecente.

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro |

Não se fabrica crack no Rio de Janeiro. Toda a droga vem de fora, de São Paulo. Ainda não achamos aqui nenhum laboratório que processe crack. Vamos achar? Acredito que sim, mas ainda não encontramos, disse Braga.

Um levantamento da Polícia Civil aponta que a Dcod já apreendeu até outubro deste ano no Rio 70 mil pedras de crack em operações policiais. Comparado com 2008, o número é 22 vezes maior. No ano passado, a delegacia apreendeu no Estado três mil pedras da droga. 

Segundo Marcus Braga, o crack começou a circular no Rio no início da década. Em 2003, foi realizada uma apreensão de cinco pedras da droga na região de Manguinhos. Investigações policiais mostram que na época traficantes de São Paulo realizavam vendas casadas para os traficantes do Rio, ou seja, só comercializavam cocaína se também comprassem uma remessa de crack. Hoje em dia está ao contrário. Os traficantes só vendem o crack se o comprador também levar a cocaína, revela. 

Mapa do tráfico

De acordo com dados da Dcod, hoje o comércio do crack no Rio é controlado por duas facções criminosas: Comando Vermelho (CV) e Amigos dos Amigos (ADA). Para Marcus Braga, os grupos aderiram ao comércio da droga após perderem faturamento com a venda de maconha e cocaína.  

O Comando Vermelho perdeu muito faturamento com as guerras com a ADA. Os usuários de maconha e cocaína não iam mais ao morro comprar drogas. Eles compravam no asfalto ou iam aos morros controlados pelo Terceiro Comando, conta. 

Atualmente, o principal ponto de venda de crack do Comando Vermelho no Rio é o complexo de favelas de Manguinhos, na zona norte da capital fluminense. Lá, a venda da droga é responsável por cerca de 60% do faturamento do tráfico. O preço de uma pedra de crack pode variar entre R$ 1 e R$ 5. 

Além de Manguinhos, o Comando Vermelho também mantém pontos de venda de crack nas favelas do Jacarezinho, da Mangueira, Pavão-Pavãozinho, Parque União, Nova Holanda e na Baixada Fluminense. Já o principal ponto de venda da ADA é a favela da Pedreira, em Costa Barros, na zona norte do Rio.

Manguinhos é uma cracolândia em si. É o foco, avalia Braga, completando que a maior parcela dos dependentes é formada por moradores de rua e pessoas de baixa renda. No entanto, a droga já chegou à classe média, como atesta o assassinato no final do mês passado da estudante Bárbara Chamun Calazans Laino, de 18 anos, por Bruno Kligierman de Melo, 26, viciado em crack.

Plano de ação

Na última terça-feira, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, apresentou algumas ações contra o uso do crack na cidade. Foram inaugurados três centros de atendimento para crianças e adolescentes dependentes da droga, um em Campo Grande e dois em Sepetiba. Além disso, será inaugurado um albergue para até 20 mulheres adultas no Rio Comprido.

Outra iniciativa prevista é a abertura de espaços de convívio e acolhimento para o atendimento a crianças e adolescentes que frequentam as cracolândias. As duas primeiras unidades serão instaladas nos bairros de Laranjeiras e Manguinhos, podendo receber até 25 meninos cada. Trata-se de um trabalho de prevenção, psicossocial, em que se entende a internação como a última instância de tratamento, declarou Paes.

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