CPMI do MST já tem assinaturas necessárias, anuncia oposição

BRASÍLIA - O deputado Onix Lorenzoni (DEM-RS) anunciou nesta tarde que conseguiu 172 assinaturas - uma a mais do que as necessárias - em um requerimento de criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar as atividades do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).

Agência Estado |

Segundo ele, até terça-feira o total de assinaturas deve chegar a 180. Ele comentou que há parlamentares enviando assinaturas por Sedex e por fax.

Lorenzoni disse que a destruição de um laranjal pelo MST, no interior de São Paulo, acabou convencendo os parlamentares que relutavam em apoiar a criação da CPI. No Senado, o requerimento já conta com 32 assinaturas - cinco a mais do que as necessárias.

Lorenzoni disse que na terça-feira conversará com a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) e que, na quarta-feira, ambos devem protocolar na Mesa do Congresso o requerimento de criação da CPMI do MST.

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), afirmou que não irá julgar intenção da oposição de criar a CPMI. "A minha função como presidente não é fazer juízo de valor sobre comissões de inquérito, mas uma vez que cumpram formalidade legal com número apresentado em plenário e instituir a comissão. Isso eu farei".

AE
Tratores destruídos em fazenda invadida no interior de São Paulo pelo MST

Além de plantação de laranja, grupo destrói diversos tratores em fazenda

A ocupação

A imagem do MST ficou comprometida após a repercussão da invasão de uma fazenda no interior de São Paulo. A fazenda Santo Henrique, na zona rural de Borebi, pertence ao grupo Cutrale e abrange os municípios de Iaras, Lençóis Paulista e Borebi. O MST invadiou o local no dia 28 de setembro e, segundo a polícia, tomaram a casa-sede, escritórios e instalações e expulsaram cinco famílias de colonos.

Além disso, teriam usado um trator da empresa para destruir 7 mil pés de laranja, onde alegam que plantariam feijão no lugar. Após o local ser ocupado pela Polícia Militar na quarta-feira, dia 7, as cerca de 250 famílias deixaram o local.

O MST afirma que a fazenda possui 2,7 mil hectares utilizados ilegalmente para a monocultura de laranja. Segundo o grupo, a área da fazenda faz parte do chamado Núcleo Monções, um complexo de 30 mil hectares divididos em várias fazendas e de posse legal da União.

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) alega que a área faz parte do núcleo Monção, adquirido por sentença judicial de 1909 pela União e, posteriormente, grilada por terceiros. Em 2006, o Incra entrou com ação reivindicatória, mas o processo ainda não teve decisão final.

Já a Cutrale garante que tem a posse legítima das terras e que a fazenda é produtiva, gerando cerca de 300 empregos com carteira registrada.

(Com informações de Camila Campanerut, repórter em Brasília)

Leia também

Leia mais sobre: MST

    Leia tudo sobre: cpmi do campomst

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG