CPJ condena ofensiva do regime chavista contra a liberdade de imprensa

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) condenou nesta segunda-feira em Nova York a escalada de ataques contra a imprensa na Venezuela depois de uma agressão à sede da Globovisión.

AFP |

"As autoridades empreenderam uma longa campanha judicial e de propaganda contra a Globovisión por seu trabalho informativo e crítico, mas o ataque de hoje ao canal significa uma séria escalada nas agressões", disse o coordenador do programa das Américas do CPJ, Carlos Lauría.

Várias pessoas armadas entraram nesta segunda-feira na sede em Caracas desse canal de notícias muito crítico ao governo do presidente venezuelano Hugo Chávez e lançaram duas bombas de gás lacrimogêneo.

"O governo deve condenar pública e de forma inequívoca este violento ataque e pôr fim as acusações contra o canal de televisão, o que leva a acreditar num clima em que tais agressões são possíveis. As autoridades devem garantir a Globovisión e a seus empregados a proteção necessária para assegurar que possam trabalhar com liberdade e num ambiente seguro".

O CPJ também condenou a decisão da entidade reguladora venezuelana que, na semana passada, revogou as licenças de funcionamento de 34 estações privadas de rádio ou televisão.

"O governo está utilizando a concessão do espaço radioelétrico como pretexto para silenciar as vozes críticas e independentes", assinalou Lauría.

"Nenhuma destas emissoras foram notificadas com antecedência nem foi proporcionada a elas a oportunidade de defender-se deste tratamento tão arbitrário. Isto é parte de uma investida ampla contra os meios privados que está pondo em risco a democracia venezuelana", acrescentou.

Segundo María Fernanda Flores, uma das diretoras da Globovisión, cerca de 30 motoristas chegaram à sede da emissora na capital e depois de ameaçarem os vigias com armas de fogo entraram nas instalações, onde fizeram explodir seus artefatos.

Uma agente da polícia metropolitana ficou ferida, assim como os dois vigias privados.

"Responsabilizamos o presidente pelo que aconteceu hoje. Levaremos as coisas às últimas consequências", disse o diretor do canal, Alberto Federico Ravell.

Ele lamentou que "em plena luz do dia um grupo de partidários (do mandatario) se aproxime do canal e o ataque".

"Este atentado já não é mais contra a liberdade de expressão, mas contra a vida das pessoas que aí trabalham", denunciou.

A televisão mostrou imagens tomadas por suas câmaras de segurança nas quais se vê um grupo de pessoas com boinas vermelhas e bandeiras do partido UPV, aliado de Chávez, entrando nas instalações da Globovisión e acionando as bombas.

A organização de defesa da liberdade de imprensa, Repórteres Sem Fronteiras (RSF) expressou nesta segunda-feira seu "forte protesto" contra o "fechamento em massa" de meios audiovisuais privados na Venezuela que, considerou, foram "sacrificados por um capricho do governo".

RSF "protesta firmemente contra o fechamento das rádios privadas, oficialmente por 'motivos administrativos'", afirmou a entidade em comunicado divulgado em Paris.

"Este fechamento em massa de meios de comunicação considerados opositores, um precedente perigoso para o futuro do debate democrático, só responde à vontade do governo de fazer calar as vozes discordantes piorando as divisões no seio da sociedade venezuelana", opinou a RSF.

O Partido Socialista francês expressou nesta segunda-feira "dúvidas" e "preocupação" com a decisão das autoridades venezuelanas.

"As afrontas à liberdade de expressão representam ameaça ao exercício da democracia", afirmou o PS em comunicado no qual também se referiu à lei que será votada no Parlamento venezuelano e que "reforça o leque de sanções" adotadas em 2004.

Segundo o Partido Socialista francês, na oposição, "o direito à crítica e à possibilidade de transmitir todo tipo de opiniões aos cidadãos, é elemento constitutivo da vida democrática".

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