A CPI da Pedofilia vai pedir ao Ministério da Justiça que inclua Lidiane do Nascimento Foo no Programa de Proteção à Testemunha, da Secretaria de Direitos Humanos. A decisão foi tomada após ela afirmar a comissão que tem recebido várias ameaças de morte, por ter denunciado pedófilos de Roraima.

No seu depoimento, Lidiane afirmou aos senadores que "levava meninas" entre 12 e 17 anos para se relacionarem sexualmente com o ex-procurador-geral de Roraima Luciano Queiroz e outros indiciados pela Operação Arcanjo, deflagrada em junho pela Polícia Federal. A operação investigou denúncias de abuso sexual contra crianças e adolescentes no Estado. Lidiane disse que, ela mesmo, a partir dos 11 anos de idade, teve relacionamento com o ex-procurador e com outros denunciados pela PF.

Entre as pessoas que a ameaçam, citou o ex-procurador e o empresário José Queiroz da Silva, conhecido como Carola. Além de Lidiane e seu marido, Givanildo dos Santos Castro, a Operação Arcanjo também prendeu em junho deste ano Luciano Queiroz, os empresários José Queiroz da Silva e Valdivino Queiroz da Silva, major da Polícia Militar Raimundo Ferreira Gomes (cunhado de Lidiane), Hebron Silva Vilhena e Jackson Ferreira do Nascimento, tio da depoente. Todos eles foram a acusados de integrar rede de pedofilia, abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes de Boa Vista.

No início do depoimento, o relator da CPI, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), informou que Lidiane foi denunciada pelo Ministério Público e que está presa por ser uma das cafetinas que forneciam criança e adolescentes para os demais acusados. Ele explicou que ela tinha o direito de permanecer calada e não responder às perguntas dos senadores, mas ela preferiu detalhar como funcionava o esquema de abuso sexual, que também envolvia consumo e tráfico de drogas. "Nunca fui agenciadora, cafetina ou traficante de drogas", afirmou. "Para mim, isso não era crime, era meu mundo, eu vivia assim".

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