CPI dos Grampos vai à Justiça para obter dados

SÃO PAULO - A CPI das Escutas Clandestinas da Câmara vai recorrer na Justiça contra a decisão do juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Federal, de negar à comissão o compartilhamento de dados da Operação Satiagraha. Além de ingressar com mandado de segurança contra a decisão do juiz, a CPI também pretende convocar De Sanctis para prestar depoimento na Câmara.

Valor Online |

" Vamos ver junto à Procuradoria a possibilidade de entrar com mandado de segurança contra a decisão do juiz De Sanctis para termos acesso a esses dados que são fundamentais para o trabalho por nós realizado´´, disse o presidente da comissão, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ).

Em ofício encaminhado à comissão, De Sanctis recusou o pedido de compartilhamento de informações da Satiagraha, feito pela CPI. No início da semana, integrantes da comissão estiveram em São Paulo para solicitar a quebra do sigilo da investigação e o repasse do conteúdo de escutas clandestinas - mas, na ocasião, De Sanctis disse que não repassaria os dados sigilosos.

A atitude de De Sanctis irritou parlamentares da comissão. O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) disse que vai ingressar com requerimento para a sua convocação. Itagiba considerou " oportuna " a convocação.

Além da convocação de De Sanctis, a CPI também pretende convocar o banqueiro Daniel Dantas para explicar seu suposto envolvimento em escutas telefônicas clandestinas.

No encontro com De Sanctis, em São Paulo, os deputados afirmaram que o compartilhamento de informações seria " importantíssimo " para embasar o indiciamento do delegado federal Protógenes Queiroz, do ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Paulo Lacerda e do banqueiro Daniel Dantas.

Em ofício, De Sanctis disse que o requerimento da CPI foi " extremamente genérico " , não trouxe nenhum dado relevante que justificasse o fim do sigilo judicial.

Em depoimento ontem à CPI das Escutas Clandestinas da Câmara, o agente aposentado do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI) Francisco Ambrósio disse que ouviu, por acidente, duas gravações telefônicas realizadas pela Polícia Federal na Operação Satiagraha. Uma das gravações ouvidas por Ambrósio foi a conversa entre o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh e o chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho. " Eu posso afirmar, e o perito também, que ele inadvertidamente esqueceu o canal aberto. Não foi passado o áudio total, foi parte do áudio " , afirmou.

Ambrósio disse que tomou conhecimento de que Carvalho era um dos interlocutores através de um dos peritos da PF. " Ficamos sabendo de um dos peritos quem estava no áudio " , afirmou. O agente repassou o nome do perito à comissão sigilosamente.

O agente aposentado reafirmou à comissão que o seu trabalho na Operação Satiagraha se limitou à triagem de e-mails para Protógenes e a análise de um HD da Operação Chacal, realizada anteriormente pela Polícia Federal.

(Valor Econômico)

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