CPI dos Grampos ouvirá funcionário que chefiou agentes da Abin na Operação Satiagraha

BRASÍLIA - Nesta quarta-feira, a CPI dos Grampos retomará o depoimento de José Ribamar Reis Guimarães, agente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) apontado como coordenador do grupo de funcionários da Abin que deu apoio ao delegado Protógenes Queiroz durante as investigações da Operação Satiagraha - ação da Polícia Federal que culminou na prisão do sócio-fundador do Opportunity, Daniel Dantas.

Carol Pires, Último Segundo/Santafé Idéias |

Na quarta-feira passada, quando Guimarães foi chamado a depor à CPI, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou ao agente o direito de falar aos deputados em sessão secreta. Ribamar queria ainda o sigilo de todas as informações transmitidas por ele, sem possibilidade de publicação dessas na imprensa. Também este recurso lhe foi negado. 

Mesmo após a recusa do Supremo, Guimarães compareceu à sessão, mas teve seu depoimento adiado a pedido do relator da comissão, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), que estava em viagem no dia. 

Investigação prorrogada

O funcionamento da CPI dos Grampos estava previsto para ser encerrado no início de dezembro. Pelegrino pediu, porém, a prorrogação dos trabalhos por mais 60 dias, até fevereiro de 2009. A comissão aprovou o requerimento, mas este ainda não foi votado no plenário da Câmara. 

Por ora, Pellegrino não vê fundamento para pedir indiciamentos. O presidente da comissão, Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), defende, em contrapartida, o indiciamento do diretor-afastado da Abin, Paulo Lacerda, por falso testemunho, uma vez que ele negou à CPI ter acessado informações sigilosas da Operação Satiagraha, fato posteriormente contrariado por um agente da Abin.

A defesa de Daniel Dantas, preso pela Operação Satiagraha, argumenta na Justiça que o acesso por parte da Abin às partes sigilosas da investigação da Polícia Federal deveria levar à invalidação das provas obtidas.

Oposição pode apresentar parecer paralelo

Caso Pellegrino persista em não sugerir o indiciamento de pessoas investigadas pela comissão em seu relatório final, a oposição poderá apresentar um parecer paralelo. Para o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), vários envolvidos nos desdobramentos da Operação Satiagraha ¿ desde os investigados, como o sócio-fundador do Opportunity, Daniel Dantas, até os investigadores, como o diretor-geral afastado, Paulo Lacerda - mentiram durante os depoimentos à CPI dos Grampos e podem ser acusados de falso testemunho.

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