BRASÍLIA - A CPI das Escutas Telefônicas da Câmara dos Deputados ouve nesta semana dois dos principais personagens da Operação Satiagraha da Polícia Federal: o juiz federal Fausto De Sanctis, e o banqueiro Daniel Dantas, dono do banco Opportunity, que foi preso ¿ por ordem de De Sanctis ¿ sob acusação de formação de quadrilha, corrupção ativa, gestão fraudulenta e evasão de divisas.


Nesta terça-feira (12), Fausto De Sanctis presta depoimento às 14h30 como convidado da comissão. Segundo membros da CPI, a reunião pode ser transformada em reservada caso o juiz queira revelar informações sigilosas. Os parlamentares também devem questionar De Sanctis sobre a quantidade de autorizações de grampo, considerado pelos membros da CPI como abusiva.

Na quarta-feira (13) é a vez da comissão ouvir Daniel Dantas, convocado para esclarecer a denúncia de ter encomendado grampos ilegais para espionar empresários e autoridades do governo. A denúncia foi confirmada na semana passada pelo delegado da PF Élzio Vicente, que comandou a Operação Chacal, que investigou e revelou o esquema.

Acareação

As duas oitivas prometem muito barulho e holofotes, mas membros da CPI dos Grampos não acreditam que Dantas contribuirá com a comissão. Na última sexta-feira o banqueiro entrou no Supremo Tribunal Federal (STF) com um pedido de habeas-corpus para poder falar na CPI apenas aquilo que lhe interessar. A liminar deve ser deferida pelo STF nesta terça-feira.

O melhor cenário seria se ele quisesse dizer a verdade, mas ele ficaria excluído do mercado; seria considerado pouco confiável. Não acredito que Dantas fale nada que exponha o governo ou outros empresários, analisa o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), autor da convocação do empresário.

Vislumbrando uma possível frustração, o deputado da Raul Jungmann (PPS-PE), autor do requerimento que convidou o juiz De Sanctis, já adiantou que se a comissão perceber contradições nos depoimentos, pode requerer uma acareação (confrontação) entre os depoentes para esclarecer pontos mal explicados.

Temos três opções: se eles quiserem ajudar, ouvi-los de forma reservada; fazer um cruzamento de dados e reconvocá-los, posteriormente ou ainda fazer uma acareação se forem encontradas contradições, disse Jungmann, que não acredita na primeira opção.

Não tenho nenhuma esperança de que o depoimento de Dantas seja elucidativo; ele nunca colaborou, não acredito que vá fazê-lo agora.

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