BRASÍLIA - O presidente da CPI dos Grampos, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), convocou o ministro-chefe do Gabinete Institucional de Segurança (GSI) da Presidência da República, Jorge Félix, para ser ouvido na comissão nesta terça-feira. De acordo com a assessoria do parlamentar, Félix teria aceitado o convite.

Para Itagiba, a convocação de Félix se faz importante devido às denúncias publicadas pela revista Veja, sobre escutas telefônicas clandestinas contra o presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, senadores e ministros da República.

O GSI é o órgão superior à Agência Brasileira de Inteligência (Abin), instituição acusada por Veja de ser a responsável pelos grampos. "Isso tem que ser muito bem investigado. As denúncias são gravíssimas. Temos que ouvir o chefe do doutor Paulo Lacerda [diretor-geral da Abin] para esclarecermos as denúncias", disse Itagiba.

Sobre uma nova convocação de Lacerda, uma vez que ele já foi ouvido na CPI, Itagiba comentou que, antes de se pensar nessa hipótese, é preciso ouvir Félix e o adjunto de Lacerda na Abin, Milton Campana.

Até porque, Lacerda, em seu depoimento, negou a participação da Abin nos casos de grampos, e já determinou uma auditoria interna para investigar se funcionários de sua instituição realmente participaram dos grampeamentos.

"Para ouvirmos o doutor Lacerda, teríamos que aprovar um novo requerimento de convocação. Ele já negou a realização de grampos na comissão. Podemos ouvir os outros dois e, se for necessário depois de conhecermos o teor dos depoimentos, aí poderíamos partir para uma nova convocação do diretor da Abin", disse Itagiba.

Além das convocações, a CPI deve convidar o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e o presidente do Supremo, Gilmar Mendes, que não teriam a obrigação de ir até a comissão, mas seriam "extremamente bem vindos".

Inteligência no Senado

A Comissão Mista de Controle de Órgãos de Inteligência do Congresso Nacional vai se reunir no dia 9 de setembro para discutir a crise dos grampos. A data avançada se dá devido ao presidente da comissão, senador Heráclito Fortes (DEM-PI), se encontrar no exterior.

A reportagem apurou com outros integrantes da comissão que a idéia do encontro é criar regras que abrandem o poder da Abin e intensifiquem o controle exercido pelo Senado nas funções da Agência.

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