CPI dos Grampos ouve agente da Abin que participou da Operação Satiagraha

BRASÍLIA - O agente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Márcio Seltz, reafirmou nesta quarta-feira, em depoimento à CPI dos Grampos, que participou da Operação Satiagraha, ação da Polícia Federal que culminou na prisão do banqueiro Daniel Dantas, por ordens de superiores hierárquicos. Minha colaboração coma PF foi legal, oficial e formal, disse.

Carol Pires, Último Segundo/Santafé Idéias |

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Seltz explicou aos deputados que sua missão nas investigações era apenas de analisar notícias divulgadas pela imprensa, e não investigar e-mails interceptados pela operação da PF, como foi dito por alguns depoentes à CPI dos Grampos. Segundo ele, nenhuma remuneração extra lhe foi oferecida por isto. 

Protógenes [Queiroz, delegado responsável pela Satiagraha, posteriormente afastado do cargo] me repassou um catatau de notícias divulgadas na imprensa, com foco nas notícias sobre a disputa pelo controle da Brasil Telecom, notícias de 2001 até 2008, e eu deveria fazer uma análise delas, explicou Seltz aos deputados. 

O agente afirmou à comissão que, a princípio, não achou estranho participar de uma operação da Polícia Federal, porque a colaboração entre Abin e PF nunca foi atípica. Mesmo depois da Operação Satiagraha e todos os seus desdobramentos, ela [colaboração entre os órgãos] continua ocorrendo, observou. 

Dantas quer invalidar provas

O nome de Márcio Seltz surgiu nas investigações da CPI dos Grampos durante o depoimento do diretor de inteligência da PF Daniel Lorenz, que afirmou aos deputados que a presença de Seltz no prédio sede da Polícia Federal, em Brasília, foi o ponto de partida para as investigações acerca dos supostos abusos cometidos por Protógenes durante a condução da Operação Satiagraha.

Ontem, o presidente da Associação dos Servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Asbin), Nery Kluwe, insistiu à CPI dos Grampos que Seltz participou da Satiagraha a convite do delegado Protógenes Queiroz e que posteriormente repassou as informações sobre as investigações para o diretor-afastado da Abin, Paulo Lacerda.  

A defesa de Daniel Dantas argumenta que o acesso por parte da Abin a partes sigilosas da investigação da Polícia Federal, deveria levar à invalidação das provas obtidas. Na manhã desta quarta, em visita ao Senado Federal, Protógenes garantiu, porém, que isto não ocorreu. "Se perguntar a todos os oficiais de inteligência dados da Satiagraha eles não saberiam como informar", disse.

Leia mais sobre: CPI das escutas telefônicas

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