CPI dos Cartões suspeita de tráfico de influências em contratos com a UnB

BRASÍLIA - Os sub-relatores da CPMI dos Cartões Corporativos, deputados Índio da Costa (DEM-RJ) e Carlos Sampaio (PSDB-SP), suspeitam da existência de tráfico de influência em contratos com o poder público e sócios de empresas privadas. A partir de um cruzamento de dados de portadores de cartões e quadros societários, eles identificaram pelo menos dois casos em que a empresa que celebra contrato com órgãos do governo conta com sócios que são servidores da repartição. Um dos casos envolve a Universidade de Brasília (UnB).

Severino Motta - Último Segundo/Santafé Idéias |

Entre 2003 e 2007 foram identificados gastos do poder público na ordem de R$ 113 mil com a empresa Gilvana Elétrica Ltda, cujo servidor público Raimundo Luiz da Silva é sócio. Deste valor, R$ 77,4 mil foram contratados pela Fundação Universidade de Brasília, antiga repartição de Raimundo, que hoje está lotado no Ministério da Saúde.

Além dos contratos com o poder público, Raimundo usou um cartão corporativo em 2006, fazendo saques no valor total de R$ 17,7 mil. A CPI suspeita que parte dos recursos possa ter sido usado em compras em sua empresa, a Gilvana Ltda.

"É improbidade ser sócio [de empresa] e ter contrato [com o poder público no qual também é servidor]", disse o deputado Índio da Costa. "Há uma evidência forte de tráfico de influências", completou.

Raimundo alegou que todos os contratos firmados com a Fundação Universidade de Brasília foram feitos com transparência, e que ele sequer sabe o que é tráfico de influência. 

"Eu não sei o que é tráfico de influências, foi tudo correto, temos notas, pagamos os impostos. Quando se entra num pregão concorre com várias outras [empresas], o menor preço ou a qualidade prevalece", disse. 

Em relação ao uso de dinheiro sacado com o cartão corporativo em sua empresa, ele afirmou que podem aparecer notas comprovando tais gastos. Raimundo disse que devido à urgência de alguns materiais para o Hospital Universitário compras em sua empresa devem ter sido realizadas, mas não soube precisar quais. 

"Pode ter [havido compras], pois é material de urgência, trabalhamos com hospital. Mas estamos prontos para esclarecer, não tem nada que não possa ser mostrado", explicou. 

Raimundo ainda comentou que todas as notas de gastos com recursos dos cartões corporativos foram entregues ao setor responsável do hospital e que nenhuma irregularidade lhe foi comunicada.

Já a outra denúncia diz respeito a uma professora da universidade federal de Rondônia, que é sócia de uma empresa de informática que celebrou contratos com o poder público na ordem de R$ 390 mil, sendo que cerca de R$ 160 mil foram feitos contratados diretamente pela universidade.

UnB

A assessoria de imprensa da Universidade de Brasília foi procurada para comentar o assunto mas ainda não se pronunciou sobre o caso.

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