CPI dos Cartões cancela sessão que teria acareação de suspeitos de vazar dossiê

BRASÍLIA - A presidente da CPI dos Cartões Corporativos, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), cancelou, por falta de quórum, a sessão em que os acusados de vazar o dossiê com gastos do ex-presidente FHC ¿ o ex-servidor da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires e o assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), André Eduardo Fernandes, poderiam participar de uma acareação.

Severino Motta e Rodrigo Ledo, do Santafé Idéias |

Como a sessão de terça-feira, foi encerrada sem a conclusão do depoimento de Aparecido, os esclarecimentos seriam retomados nesta quarta-feira. Logo após, estava prevista a votação do requerimento de acareação, visto que André e Aparecido divergiram em importantes pontos relativos ao vazamento do dossiê

Além da falta de quorum, nem mesmo os parlamentares que tinham se inscrito ontem para questionar Aparecido estiveram presente nesta manhã. São eles: os deputados Marcelo Guimarães (PMDB-BA), Nilson Mourão (PT-AC), Perpétua Almeida (PCdoB-AC) e o senador Flexa Ribeiro (DEM-PA).

Agência Brasil 
Assessor parlamentar deixou contradições
Com a ausência dos parlamentares, Marisa Serrano remarcou a reunião desta quarta para a próxima terça-feira às 9h30, quando Aparecido pode concluir seu depoimento e o requerimento de acareação, além de requerimentos convocando outros funcionários da Casa Civil acusados de participar da montagem do dossiê serão votados.

Na proxima semana, a presidente da CPMI irá colocar em votação dois requerimentos que pedem uma acareação entre o ex-secretário e o assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), André Fernandes.

Divergências

O principal ponto de divergência entre Aparecido e André está no nome de quem deu a ordem para a confecção do dossiê. O primeiro alega que o secretário de administração da Casa Civil, Norberto Temóteo, foi quem comandou a equipe. Já André alega que o próprio Parecido teria lhe confidenciado que foi a Secretária-Executiva Erenice Guerra, braço direito da ministra Dilma Rousseff, a responsável pela montagem.

Além disso, a versão de Aparecido é que ele enviou o material por e-mail devido a uma "falha humana", e que nunca tentou pressionar a oposição para que não fosse instalada a CPI dos Cartões. André julga que Aparecido agiu deliberadamente e que seu objetivo era sim pressionar a oposição.

Acareação

Na terça-feira, a senadora disse que, sem a acareação, fica inviabilizada a investigação sobre "o dossiê, quem mandou fazer e dos recursos usados no Palácio do Planalto". Ela acrescentou que, caso os dois, José Aparecido e André, não sejam colocados frente a frente, a tendência é de que os trabalhos da comissão entrem em fase final.

Na sua opinião, o uso desse instrumento é fundamental para que se aponte as responsabilidades pela elaboração do banco de dados sobre os gastos do governo Fernando Henrique Cardoso.

"Os depoimentos são divergentes em vários pontos, então nada melhor do que colocar um na frente do outro", afirmou.

Uma das divergências nos depoimentos prestados hoje por José Aparecido e André Fernandes é quanto à informação sobre quem teria decidido elaborar o banco de dados. O assessor de Álvaro Dias afirmou que, numa conversa, José Aparecido teria dito que a responsável seria a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra. Já o ex-secretário desmente tal afirmação.

Agência Brasil
Aparecido diz que envio de dossiê foi falha
O relator da CPI mista, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), pensa diferente da senadora Marisa Serrano. Ele afirmou que votará contra a acareação porque considera que os dois depoentes apresentaram-se com estratégias claras em seus argumentos.

"O que posso concluir é que ambos seguiram uma estratégia dos advogados de defesa e pouco acrescentaram. Fico convicto que, com essa questão relativa ao vazamento de informação, o determinante será o inquérito conclusivo da Polícia Federal", afirmou Luiz Sérgio.

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