CPI das ONGs investigará movimentações financeiras de fundações e ex-reitor da UnB

BRASÍLIA - A CPI das ONGs no Senado superou o impasse entre governistas e oposicionistas e aprovou, nesta quarta-feira, uma série de requerimentos para investigar movimentações financeiras suspeitas das fundações de apoio, de gestores e do ex-reitor da Universidade de Brasília (UnB), Timothy Mulholland.

Rodrigo Ledo ¿ Último Segundo/Santafé Idéias |

O objetivo dos senadores é aprofundar a apuração do desvio de verbas públicas na UnB, caso que ganhou notoriedade após a divulgação de que a Finatec ¿ uma das fundações de apoio da universidade ¿ aplicou dinheiro na compra de mobiliário de luxo para o apartamento do então reitor Timothy Mulholland, incluindo cinco TVs de plasma e uma lixeira de R$ 900.

Pelos requerimentos aprovados pela CPI das ONGs, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf, órgão do Ministério da Fazenda) irá pesquisar e fornecer quaisquer movimentações atípicas da Fundação Universidade de Brasília (Fubra), da Finatec, do presidente afastado da Finatec, Manoel Dias, e do ex-reitor Timothy Mulholland.

Os membros da CPI querem esclarecer suspeitas como a de que as fundações celebravam contratos com empresas e ONGs comandadas pelos próprios gestores da UnB, ou por seus parentes e amigos, num esquema de tráfico de influência que os beneficiava financeiramente.

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse que o ideal seria a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de todos os suspeitos, mas isso a base aliada na CPI não permitiria.

Foi uma tremenda demonstração de boa vontade da oposição transformar os requerimentos de quebra de sigilo em requisição ao Coaf, mas não há nenhuma boa vontade da base aliada de permitir a investigação de qualquer organização com alguma aproximação com o governo, reclamou Dias.

A queixa do tucano, apoiada por outros oposicionistas, foi uma referência à rejeição de requerimentos para pedidos ao Coaf de movimentações suspeitas dos empresários Luís Lima e sua esposa Flávia Camarero. Ambos são acusados pelo Ministério Público de serem próximos ao PT e atuarem dentro da Finatec, como parceiros, para ganharem contratos e convênios com órgãos públicos de todo o País, principalmente comandados por petistas e aliados.

Um pedido ao Coaf não representa atestado de culpa. Só se houver indícios de movimentações irregulares é que pediremos a quebra de sigilo, ressaltou Álvaro Dias.

A oposIção conseguiu, ao menos, convocar Luís Lima e Flávia Camarero para prestarem depoimento à CPI das ONGs, em data ainda não marcada.

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