CPI das Milícias é instituída na Alerj

RIO DE JANEIRO ¿ A Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) vai insituir, nesta quinta-feira, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a ação das Milícias nas favelas do Rio. De acordo com o presidente da comissão - que está reunida na Casa - deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), os dois suspeitos de terem feito um atentado a bomba contra a 35ª DP (Campo Grande) devem ser os primeiros ouvidos pelo grupo.

Redação |


O nome mais cotado para a relatoria da CPI é o do deputado Gilberto Palmares (PT). Freixo e outros cinco deputados ¿ entre eles o líder do governo na Alerj, deputado Paulo Melo (PMDB) - que compõem o quadro da comissão devem eleger Palmares ainda nesta manhã.

A reunião definirá o cronograma de trabalho da CPI que, segundo afirmou Freixo, pode continuar durante o recesso da Casa, no mês de julho. O deputado informou que pretende estreitar o contato com o delegado Marcus Neves, da 35ª DP, com membros da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO) e com o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame.

O trabalho conjunto, segundo ele, é para estreitar o trabalho de investigação da polícia com a atuação da CPI e mostrar que ela não é um instrumento contrário ao governo, mas de apoio à administração estadual. O prazo para a conclusão da comissão é de 150 dias.

No último dia 11, a 35ª DP foi alvo de um ataque feito com uma bomba caseira que explodiu em frente à unidade policial. Ninguém ficou ferido na ocasião. De acordo com o delegado Marcus Neves, uma testemunha contou que quatro pessoas participaram do atentado.

O artefato foi lançado do viaduto de Campo Grande e caiu na porta de entrada da unidade policial. A porta de vidro da 35ª DP foi estilhaçada e parte do telhado ficou danificada. Faróis de uma viatura e as paredes da entrada da unidade também foram atingidos. Dois suspeitos foram presos.

Disque-milícia

A reunião também deve criar um serviço de Disque-milícia, pelo qual moradores de comunidades dominadas por milicianos podem denunciar as atuações desses grupos, que dominam cerca de 80 comunidades do Rio.

A CPI foi formada depois que o jornal carioca "O Dia" divulgou informações de que integrantes de uma milícia que atua na zona oeste seqüestraram e torturaram uma equipe de reportagem em uma favela da cidade. O crime ocorreu na favela do Batan, em Realengo, onde os jornalistas viviam havia duas semanas para preparar uma reportagem sobre a ação dos milicianos na vida da comunidade.

A ação das milícias em favelas do Rio é hoje uma das principais preocupações da Secretaria de Segurança Pública, uma vez que há indícios de que grande parte delas são comandadas por militares. Em declarações dadas no fim de fevereiro, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, informou que havia 115 investigações sobre o tema em curso. Na ocasião, ele classificou a atuação de policiais nas milícias como "desvio de conduta muito sério".

Os milicianos se espalharam pelas favelas da periferia do Rio nos últimos anos como uma alternativa ao tráfico de drogas. Prometem segurança aos moradores, mas, em geral, impõem rígidas normas de conduta nas comunidades, além de monopolizarem o comércio de gás de botijão, instalações piratas de TV a cabo e transporte, entre outros. Já ganharam a alcunha de "comandos azuis", em alusão à facção Comando Vermelho, que disputa o controle do tráfico na cidade.

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