RIO DE JANEIRO - O plenário da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou nesta terça-feira, por unanimidade, a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a atuação de milícias no Estado.


A CPI será presidida pelo deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), autor do requerimento de criação da comissão. Também foi decidido que a relatoria da CPI será entregue ao deputado Gilberto Palmares (PT).

A comissão terá outros cinco membros, dos quais apenas Paulo Melo (PMDB), líder do governo na Alerj, foi escolhido. Os outros quatro membros serão anunciados até o final desta semana, segundo a assessoria de imprensa da Assembléia.

A CPI foi formada depois que o jornal carioca "O Dia" divulgou informações de que integrantes de uma milícia que atua na zona oeste do Rio seqüestraram e torturaram uma equipe de reportagem em uma favela da cidade. O crime ocorreu na favela do Batan, em Realengo, onde os jornalistas viviam havia duas semanas para preparar uma reportagem sobre a ação dos milicianos na vida da comunidade.

Os crimes ocorreram no dia 14 de maio, mas a direção do jornal informou que adiou sua divulgação para não atrapalhar as investigações policiais. Por motivos de segurança, os nomes das vítimas não foram divulgados.

Ameaças

Os criminosos ameaçaram matar os reféns, mas os liberaram após a promessa de que não denunciariam as agressões. Segundo o relato feito pelas vítimas, havia policiais no cativeiro, que em determinado momento chegou a ter mais de 20 pessoas, entre agressores e espectadores.

A ação das milícias em favelas do Rio é hoje uma das principais preocupações da Secretaria de Segurança Pública, uma vez que há indícios de que grande parte delas são comandadas por militares. Em declarações dadas no fim de fevereiro, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, informou que havia 115 investigações sobre o tema em curso. Na ocasião, ele classificou a atuação de policiais nas milícias como "desvio de conduta muito sério".

Os milicianos se espalharam pelas favelas da periferia do Rio nos últimos anos como uma alternativa ao tráfico de drogas. Prometem segurança aos moradores, mas, em geral, impõem rígidas normas de conduta nas comunidades, além de monopolizarem o comércio de gás de botijão, instalações piratas de TV a cabo e transporte, entre outros. Já ganharam a alcunha de "comandos azuis", em alusão à facção Comando Vermelho, que disputa o controle do tráfico na cidade.

Segundo levantamento divulgado por "O Dia", as milícias dominam atualmente 78 favelas da cidade. Os relatórios enviados pela equipe do jornal enquanto viviam na favela do Batan indicavam a coexistência de milícias com as forças policiais responsáveis pela segurança na região.


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