CPI da Pedofilia: delegada admite erro em investigação

No primeiro dia de depoimentos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia em Catanduva (SP), a delegada de polícia Rosana da Silva Vani admitiu aos senadores que avisou com antecedência o advogado do médico W.R.

Agência Estado |

B.G sobre a apreensão do computador que pretendia casa fazer do cliente dele, no último dia 20 de fevereiro. O médico, que é acusado de pertencer a uma rede de pedófilos que abusou de 40 crianças na cidade, teve a prisão decretada na semana passada. Ele estava foragido até o início da noite de hoje, mas o Tribunal de Justiça (TJ) lhe concedeu habeas-corpus e ele deverá depor amanhã aos senadores.

Depois de avisar o advogado de que iria cumprir um mandado de apreensão do computador do médico, a delegada deu tempo suficiente para que o advogado pudesse ter ligado para o cliente para avisar da apreensão. A consequência foi que, ao entrar na casa do médico, os agentes encontraram apenas o monitor e o modem ligados. A CPU tinha desaparecido. A declaração da delegada irritou os senadores da CPI. "Você entregou o jogo ao adversário aos 47 minutos do segundo tempo", disse o presidente da CPI, senador Magno Malta (PR-ES). Segundo ele, o erro, admitido pela delegada, é considerado "primário" para uma profissional com 18 anos de profissão.

Outra delegada ouvida pela CPI foi Maria Cecília de Castro Sanches, que comandou o primeiro inquérito sobre pedofilia, sem apontar os suspeitos de classe alta que estariam envolvidos com o escândalo. Ela alegou que apressou o encerramento do inquérito, com a prisão de dois acusados - o borracheiro J.B.N.M e seu sobrinho W.M.S -, mas deixou em aberto as investigações para encontrar outros suspeitos. Isso ocorreu, segundo ela, antes de ser chamada para participar da Operação Verão, na qual policiais civis do interior do Estado são chamados para reforçar o policiamento no litoral paulista.

Malta disse que o depoimento da delegada foi "inconsistente, fraco e ruim". A CPI, segundo ele, vai enviar os depoimentos para a Corregedoria da Polícia Civil. Outros que depuseram foram o pai e a mãe de três crianças abusadas, que relataram os horrores praticados pelos pedófilos, e o gestor da ONG Instituto Pró-Cidadania de Catanduva, Geraldo Corrêa, que falou como convidado e denunciou que o Ministério Público foi omisso quando recebeu as primeiras denúncias feitas a ONG pelas mães.

Os depoimentos do borracheiro e de seu sobrinho, previstos para esta quarta-feira, foram adiados. Para hoje também estava previsto o depoimento do empresário J.E.D, que teve prisão decretada e estava foragido. Como se esperava, D. não compareceu, mas assim como o médico, teve habeas-corpus concedido pelo TJ. A expectativa da CPI é que ambos prestem depoimento amanhã.

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