CPI da Corrupção ouve gravações e cita fraudes no RS

Sem quórum para votar 25 requerimentos de convocações, os quatro deputados da oposição usaram mais uma sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Corrupção, hoje, para ouvir 12 interceptações de telefonemas feitas pela Polícia Federal durante a Operação Solidária, que investiga favorecimentos em licitações de serviços e obras no Rio Grande do Sul. Também participaram da reunião dois suplentes de oposição e o deputado Luiz Augusto Lara (PTB), de situação.

Agência Estado |

Após ouvir as gravações, os deputados apontaram várias fraudes.

Como os áudios estão protegidos por segredo de Justiça, o conteúdo não foi divulgado para a imprensa. Lara saiu da reunião se dizendo surpreso e entristecido com as "coisas graves" que escutou. A oposição foi mais enfática: "Percebe-se claramente o conluio de agentes públicos com empreiteiros para fraudar licitações e para obtenção de dividendos financeiros", relatou a presidente da comissão, Stela Farias (PT), sem dar detalhes como nomes e conteúdo dos diálogos.

"Os áudios apontam para a formação de uma superquadrilha com ramificações em várias áreas, montada para praticar crimes contra o Estado", destacou Daniel Bordignon (PT). "Com a desarticulação do esquema do Detran pela Polícia Federal, os mesmos agentes reorganizaram-se em torno das licitações públicas, agregando outros protagonistas", afirmou.

A fraude do Detran, descoberta em 2007, desviou R$ 44 milhões da autarquia. A Operação Solidária, da Polícia Federal, ainda em andamento, já teria detectado irregularidades próximas dos R$ 300 milhões.

O relator da CPI, Coffy Rodrigues (PSDB), considerou as audições promovidas pela oposição como "um circo político" e acusou Stela de não respeitar o sigilo e de pinçar das 3,5 mil páginas dos inquéritos da Operação Solidária "somente o que lhe interessa". Também prometeu não comparecer a sessões extraordinárias como a desta quarta-feira. "Não sou relator da presidente Stela e sim da comissão; não vou ser pautado por ela, a minoria não vai mandar na maioria", ressaltou.

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