CPI da Corrupção no RS ouve interceptações da PF

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Corrupção ouviu o conteúdo de oito interceptações telefônicas da Operação Solidária da Polícia Federal, em sessão fechada, hoje. Os áudios revelam a movimentação de empresários e seus representantes pedindo a intercessão de deputados estaduais e federais pela liberação de obras no Rio Grande do Sul e conversas cifradas entre eles e agentes públicos que poderiam versar sobre propina com frases como vai matar minha saudade, vai chover e vai passar aí para resolver o que está combinado.

Agência Estado |

Os deputados não tornaram público o conteúdo completo dos áudios e nem o nome dos interlocutores grampeados pela Polícia Federal. Apenas apresentaram diferentes interpretações para o que ouviram.

A presidente da CPI, Stela Farias (PT), disse que "as escutas mostram a forte articulação de agentes políticos com o esquema montado para fraudar licitações públicas". Paulo Borges (Dem) contou que foram ouvidas pessoas rindo do contribuinte de forma descarada e lamentou que a opinião pública não possa tomar conhecimento do conteúdo. "Isso tudo é muito grave e demonstra que os tentáculos da corrupção se alastram por várias áreas do governo", complementou Elvino Bohn Gass (PT).

Entre os deputados da base aliada da governadora Yeda Crusius (PSDB), Alexandre Postal (PMDB) se disse "enojado" com o que ouviu. Gilberto Capoani, também do PMDB, afirmou que a oposição é muito criativa por concluir que há algo ilícito, admitindo apenas que um diálogo, que fala em "entrega de documentos" pode suscitar alguma dúvida. "As demais conversas são normais", avaliou. "Não vejo nada de errado quando um deputado liga para uma secretaria para saber do andamento de uma obra", afirmou, dizendo que ele mesmo costuma consultar o Executivo sobre investimentos em sua região.

Requerimentos

Mantendo a tática de desarmar as iniciativas da oposição, os deputados da situação retiraram quorum na votação dos requerimentos. No restante da sessão, os integrantes da CPI presentes ouviram o proprietário da Atento Service e Logística, Gilmar Justo, explicar como seu negócio se tornou inviável porque o contrato que está encerrando neste mês com o Detran não prevê pagamento pela guarda de milhares de veículos enquanto eles não forem retirados dos depósitos.

A empresa entende que tem crédito de R$ 16 milhões a receber do governo que, por sua vez, não admite pagar enquanto não for feito um levantamento detalhado da situação de cada veículo depositado nos pátios da prestadora de serviço.

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