RIO DE JANEIRO ¿ A criação do Disque-Milícia foi aprovada nesta quinta-feira durante a reunião de instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj) destinada a investigar a ação das milícias. O serviço terá como objetivo receber denúncias da população sobre a ação desses grupos no estado.

- A criação desse disque será um importante instrumento para obtermos informações sobre o tema. Durante a semana vamos viabilizar a operação técnica desse instrumento e disponibilizaremos o número para a população na próxima semana. Esta é uma CPI em defesa do estado e não contra governos - declarou o presidente da comissão, deputado Marcelo Freixo (Psol).

Os membros da CPI também aprovaram a convocação para prestar esclarecimentos, na próxima quinta-feira (26/06), dos dois homens que estão presos acusados de envolvimento com o ataque a bomba contra a 35ª DP (Campo Grande), no último dia 11.

Antônio Santos Salustiano e Ocian Gomes Ranquine Salustiano foram detidos no dia seguinte ao atentado, acusados de terem fabricado o artefato que foi jogado contra a unidade policial.

- Fui procurado pela família dos detidos e sugeri que eles fossem os primeiros ouvidos pela CPI - informou o relator da comissão, deputado Gilberto Palmares (PT).

Freixo esclareceu que enviará a convocação para a Secretaria de Estado de Segurança, responsável pela custódia dos presos, para que seja viabilizado o comparecimento dos mesmos à CPI. Questionados sobre a convocação do deputado Natalino (DEM), acusado pelos detidos de ser um dos mandantes do atentado, Freixo revelou que o parlamentar já se colocou à disposição da comissão para prestar esclarecimentos.

Projetos

Na reunião de hoje, também ficou definido que será enviado um requerimento de informações a acadêmicos que desenvolvem estudos sobre o tema, à Secretaria de Estado de Segurança Pública, solicitando cópia dos inquéritos instaurados para apurar os casos relacionados com as milícias, e a órgãos da imprensa, para que forneçam reportagens produzidas sobre o assunto.

- Temos que reunir o maior número de informações sobre o objeto da CPI para fazermos um diagnóstico completo. Esse deve ser o primeiro passo da comissão. Depois faremos uma análise crítica sobre todas essas informações e, num terceiro momento, apresentaremos um conjunto de propostas para solucionar o problema - destacou o deputado Pedro Paulo (PSDB), membro da CPI.

A comissão, que tem prazo de funcionamento de 90 dias, prorrogáveis por mais 60, para concluir o seu trabalho, que se encerra com a votação do relatório em plenário, vai se reunir todas as quintas-feiras, às 10h, inclusive durante o período de recesso parlamentar ¿ de 1º a 31 de julho.

A CPI tem poderes mais amplos que a polícia na apuração dos fatos, podendo, inclusive determinar quebra de sigilos telefônico, bancário e fiscal de investigados.

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