CPI aprova relatório que pede indiciamento de Dantas e poupa Protógenes e Lacerda

BRASÍLIA - A CPI dos Grampos acaba de aprovar seu relatório final redigido pela deputada Iriny Lopes (PT-ES). Ela pede o indiciamento do banqueiro Daniel Dantas, mas deixa de fora o delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiroz e o ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda.

Severino Motta |

Dantas teve o indiciamento pedido pela CPI por suposta realização de escutas telefônicas clandestinas contra adversários empresariais. Apesar da intenção da CPI, cabe agora ao Ministério Público avaliar se acata ou não o pedido de indiciamento do banqueiro.

Na reta final da Comissão, que teve 101 sessões, o presidente Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), Laerte Bessa (PMDB-DF) e os PSDB e PSS apresentaram votos em separado, que visavam mudar o relatório final de Iriny.

Em síntese, no voto do PPS/PSDB e de Itagiba eram pedidos os indiciamentos da cúpula da Abin, pela participação da Agência na Satiagraha e do chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da presidência da República, Jorge Félix, além do delegado Protógenes Queiroz.

O voto de Alencar, do PSOL, pedia o indiciamento somente de Dantas. E tanto o dele quanto de Bessa pediam a retirada do indiciamento, que consta no relatório final, do sargento da Aeronáutica Idalberto Araújo, que teve documentos das operações Navalha e Chacal, da Polícia Federal, apreendidos em sua casa.

Para votar o relatório, Iriny fez dois um afagos à oposição. Apesar dos votos em separado serem encaminhados, necessariamente, ao Ministério Público (MP), eles vão somente na forma de anexos e com a observação que não foram aprovados pelos membros da CPI. Por isso, ela resolveu acrescentar um parágrafo a seu texto, pedindo, nominalmente, que o MP leia os votos os use como base para indiciamentos caso julgue necessário.

Acrescentou também as sugestões legislativas do Itagiba à peça final. O deputado, em seu voto em separado, elaborou um projeto de Lei alterando a legislação sobre escutas telefônicas. Projeto semelhante, contudo, já constava no relatório final, mas havia sido escrito pelo antigo relator, Nelson Pellegrino (PT-BA), que abandonou a CPI na semana passada pois assumiu a vaga de secretário de Justiça em seu Estado.

Com a aprovação do relatório, a CPI encerrou sua sessão desta quinta-feira e vai apreciar na próxima semana destaques supressivos ao texto. Um deles tenta retirar o indiciamento de Idalberto da peça final da CPI.

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