Costumo usar vestidos curtos e calças apertadas, diz aluna xingada em universidade

Costumo usar vestidos curtos e calças apertadas, assim como outras meninas. Naquele dia, tinha pegado ônibus, andado na rua e ninguém disse nada, contou a estudante do primeiro ano de Turismo do período noturno do câmpus ABC da Universidade Bandeirantes de São Paulo (Uniban), em São Bernardo do Campo, que foi xingada e acuada por um grupo expressivo de estudantes no prédio onde estuda por causa do comprimento do vestido que usava.

Redação |

"Eles estavam possuídos, fiquei com muito medo", afirmou a jovem, de 20 anos, que pediu para que seu nome não fosse divulgado.

O fato ocorreu no dia 22 e ganhou repercussão nesta semana pelo site YouTube, onde foram publicados vídeos que registraram o episódio. Desde então, a aluna, de 20 anos, não tem ido às aulas.

"Estilo dela"

Segundo G., colega de sala da jovem, que preferiu não se identificar, a estudante costuma ir à universidade com roupas provocantes. É o estilo dela, diz. No dia da confusão, afirma que a aluna vestia um microvestido pink que cobria apenas cinco dedos da coxa.

Ela sempre vai com roupas assim, mas ninguém nunca falou nada. Acho que nesse dia os ânimos estavam mais exaltados, conta.

G. afirma que quando a jovem subia uma rampa de acesso à sala de aula alguns alunos começaram a assoviar e cantá-la, mas, em pouco tempo, os gracejos deram lugar às ofensas e palavrões. Ela foi ao banheiro, mas fecharam uma roda em volta, depois ela correu pra sala e juntou todo mundo querendo entrar, afirma.

Segundo ele, alunos da faculdade inteira deixaram as salas de aula e participaram do alvoroço. Devia ter cerca de 600 pessoas. Estava lotado, muitos gritos, conta.

Trancada em sala de aula

A confusão começou por volta das 20h e só acabou às 22h com a chegada da Polícia Militar. Ela ficou trancada em uma sala e, com a ajuda de um professor e colegas, chamou a polícia, que a escoltou até a saída da universidade. De acordo com a Polícia Militar, a ligação anônima alertou que havia uma estudante com "trajes mínimos na faculdade" e que um tumulto se formava no local.

Os policiais precisaram usar spray de pimenta para dispersar os alunos e conseguir retirar a jovem da sala. Ela saiu com um jaleco de um dos professores por cima da roupa. Os policiais tinham até bombas de gás lacrimogênio, mas não usaram, diz G. 

Sindicância

A assessoria da universidade afirmou que no dia seguinte ao fato abriu sindicância para apurar ocorrido no campus. Segundo a instituição, alunos, professores, seguranças e a vítima são ouvidos individualmente. Nesta sexta-feira, a estudante terá uma reunião com a reitoria da universidade.

Por meio de nota, a Uniban afirma que pretende aplicar medidas disciplinares aos causadores do tumulto, conforme o seu regimento interno e manifesta "repúdio a qualquer manifestação de preconceito de gênero e qualquer forma de difamação ou violência".

A Uniban esclarece que, "ao contrário do que alguns veículos publicaram", não houve tentativa de estupro contra a jovem, mas manifestações verbais de caráter ofensivo.

(*com reportagem de Lectícia Maggi, iG São Paulo e Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro e informações da Agência Estado)

 Assista ao vídeo que mostra o tumulto na universidade:

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