A próxima safra de cana-de-açúcar do Brasil, que começa em abril de 2010, será ainda mais açucareira que a atual, afirma o diretor financeiro e de relações com investidores da Cosan, Marcelo Martins. Segundo ele, a Cosan seguirá esta tendência e produzirá ainda mais açúcar, aproveitando sua flexibilidade operacional.

A Cosan trabalha hoje com um mix de cerca de 60% de açúcar e 40% de etanol. "Mesmo aumentando a produção de açúcar, a safra brasileira continuará sendo mais alcooleira", ressalta. Ele disse também que a maior produção brasileira a ser registrada não será suficiente para atender o déficit internacional provocado pela quebra da produção indiana. "Isto manterá os preços do açúcar sustentados", disse.

Segundo ele, a capacidade de investimento do setor para aumentar a produção de açúcar e aproveitar os preços elevados está limitada pela crise. "A Cosan não tem este problema e vai direcionar sua produção para o açúcar", disse. Nos atuais níveis de preços, em torno de 20 cents por libra, Martins informa que o açúcar está bastante remunerador e cobre os investimentos feitos recentemente. Já o etanol continua com suas cotações pressionadas e com suas margens apenas levemente positivas. "Isto é resultado do boom de investimentos registrado em etanol nos últimos anos", disse.

Martins informa que, cientes da expectativa de queda de preço do etanol no decorrer da atual safra 2009/10, a Cosan decidiu vender seus estoques no início da safra. A estratégia levou a uma venda expressiva no primeiro trimestre de 2009/10 de 757 milhões de litros de etanol, alta de 124% em relação a igual período do ano anterior. Desta total, 244 milhões de litros foram para o mercado externo. "Acreditamos que a partir de agora os preços do etanol tendem a se recuperar um pouco mas os do açúcar permanecerão bem mais remuneradores", disse.

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