Corte na varrição afeta bairros nobres de São Paulo

As subprefeituras de Pinheiros, da Lapa e do Butantã foram as mais prejudicadas pela redução em 20% no orçamento de varrição das vias públicas, anunciada no mês passado pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM). Bairros nobres da capital, como Itaim-Bibi, Jardim Paulista, Lapa, Perdizes, Vila Leopoldina e Morumbi, perderam 450 dos 1 mil garis responsáveis pela limpeza das ruas.

Agência Estado |

Os trabalhadores demitidos eram contratados da terceirizada Delta Construções. As três subprefeituras são responsáveis por 15 distritos, que ocupam área total de 127,9 quilômetros quadrados, com população de 916.843 habitantes.

Levantamento realizado pelo Sindicato dos Trabalhadores de Empresas de Prestação de Serviços em Limpeza Pública (Siemaco), a pedido da reportagem, mostra que, até o início de agosto, as cinco empresas contratadas pela Prefeitura para a varrição de ruas empregavam 8.153 pessoas. Dessas, 2.219 já foram demitidas. A segunda região mais prejudicada é a zona leste, que agora tem 1.110 garis, ante 1.800 no início de semestre, redução de 38,3%. A limpeza da região central da cidade que era realizada por 1.600 pessoas, hoje conta com 1.272 garis. A diminuição de 20,5% no efetivo é facilmente percebida por quem anda pela região da Rua 25 de Março.

Para o presidente do Siemaco, José Moacyr Malvino Pereira, a situação de limpeza na cidade deve piorar. "A tendência é que as subprefeituras reduzam a demanda de serviço e priorizem áreas centrais e de maior movimento", diz. A categoria ameaça entrar em greve na próxima semana, caso as empresas não voltem atrás nas demissões. Segundo a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, o plano de varrição está sendo refeito.

As empresas que prestam serviço de varrição na cidade - Unileste, Construfert Ambiental, Qualix Serviços Ambientais, Delta Construções e Paulitec Construções - disseram que as informações caberiam ao Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana (Selur). O último levantamento do Selur diverge do fornecido pelo Siemaco. Segundo o presidente da entidade, Ariovaldo Caodaglio, houve 2.680 demissões em um quadro de 9.100 trabalhadores.

Contrato

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) negou uma possível greve dos varredores de rua da cidade. "Não vai existir porque, contratualmente, as empresas não podem fazer greve. Elas sabem disso e estão preparadas. Se houver, vamos romper o contrato", afirmou Kassab. O prefeito ressaltou que não sabe se varredores de rua foram demitidos.

Questionado se a cidade tem um número suficiente de garis, ele se esquivou e voltou a citar o valor gasto para todo o serviço de lixo - incluindo varrição, coleta e transporte - no ano passado. "O importante é que foram gastos R$ 903 milhões. Acho que o serviço tem sido bem prestado. E eu posso afirmar que vamos encerrar o ano gastando R$ 903 milhões." Para este ano, o Orçamento para os serviços de lixo diminuiu para R$ 765 milhões. Além disso, 20% dos recursos para varrição, R$ 54 milhões, sofreram contingenciamento.

Sobre a quantidade de lixo espalhado pelas vias da cidade, como debaixo do Minhocão, Kassab respondeu que a Guarda Civil Metropolitana (GCM) está fiscalizando o descarte ilegal de entulho. Ele disse ainda que as Secretarias das Subprefeituras e de Serviços fiscalizam o trabalho das empresas responsáveis pela varrição e devem entregar-lhe um parecer. Kassab destacou ainda que a responsabilidade pelas demissões de garis é das empresas contratadas pela Prefeitura para a realização do serviço. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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