Corregedoria pode investigar deputados envolvidos em fraude do BNDES

BRASÍLIA - O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, anunciou nesta segunda-feira que a Corregedoria-Geral poderá analisar o suposto envolvimento de deputados no esquema de desvio de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) descoberto pela Polícia Federal na Operação Santa Tereza. Entre os suspeitos investigados pela PF estão os deputados Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) e Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

Agência Câmara |

Chinaglia disse que vai estudar as notícias divulgadas pela imprensa nos últimos dias e decidir, nesta terça-feira, se encaminha ou não o caso ao órgão responsável pela manutenção do decoro, da ordem e da disciplina na Câmara. "É o que o presidente da Câmara pode eventualmente fazer, o que não significa culpa nem inocência antecipadamente. Significa um ato próprio, face a certas circunstâncias."

O presidente afirmou ainda que não vai proteger quem quer que seja. "Quem tiver de ser investigado o será dentro da lei e dos princípios da Constituição."

Falta de autorização

O presidente da Câmara já recebeu a resposta ao ofício enviado na semana passada ao ministro da Justiça, Tarso Genro. Segundo Chinaglia, parecer da assessoria do ministro aponta a necessidade de um ajuste de interpretação sobre as investigações da Polícia Federal dentro das dependências da Câmara, sem qualquer autorização.

Chinaglia reiterou que a atitude da polícia contraria a Constituição e decisões judiciais. Para o presidente, houve um desrespeito ao Poder Legislativo. "Imagine que amanhã a Polícia Civil resolva entrar aqui. A Polícia Militar. O Setor de Inteligência das Forças Armadas. Ou seja, cada um na sua função imaginar que pode invadir o Poder", teme.

Para Chinaglia, a ação da Polícia Federal fere o exercício do mandato popular do parlamentar. "Se qualquer cidadão brasileiro vier aqui para procurar um deputado e fazer uma denúncia e achar que qualquer polícia está vigiando, não vai se sentir à vontade." Chinaglia lembrou da luta para que o Poder Legislativo deixasse de ser amordaçado. Ele prometeu continuar a defender a independência dos Poderes.

Leia mais sobre: BNDES

    Leia tudo sobre: bndes

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG