Corregedoria apura guerra de versões no Caso Villela

Diante de duas linhas de investigação e dúvidas quanto ao possível mandante do crime, OAB-DF aguarda procedimento administrativo

Gabriel Costa, iG Brasília |

A Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal (OAB-DF) decidiu aguardar que a Corregedoria Geral da Polícia Civil da capital investigue, por meio de procedimento administrativo, a conduta das delegadas Déborah Menezes, da 8ª Delegacia de Polícia do DF, e Mabel de Faria, da Coordenação de Investigação de Crimes Contra a Vida (Corvida), no assassinato do ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), José Guilherme Villela, sua mulher, Maria Villela, e da empregada Francisca do Nascimento, em agosto do ano passado.

A 8ª DP e a Corvida desenvolveram diferentes linhas de investigação em relação ao crime, e chegaram a trocar acusações e suspeitas de irregularidades na condução do processo. Na semana passada, o ex-porteiro do edifício onde morava Villela em Brasília, Leonardo Campos foi preso em Montalvânia, município de Minas Gerais - para onde teria fugido com dinheiro e jóias que roubou do casal - e confessou o crime. O sobrinho e suposto cúmplice de Campos, Paulo Cardoso Santana, também foi preso. Segundo o presidente da OAB-DF, Francisco Caputo, nenhuma das linhas de investigação descarta a participação de uma terceira pessoa no assassinato.

O promotor Maurício Miranda acusa a filha do casal, Adriana Villela, de ter sido a mandante do crime, com base na investigação da Corvida. O advogado de Adriana Villela, Rodrigo Alencastro, por sua vez, entrou com um pedido de afastamento da delegada Mabel do caso.

Em entrevista coletiva, o presidente da OAB afirmou que as provas apresentadas até o momento não comprovam a presença de Adriana no local, embora tenha frisado que a Ordem não teve acesso a todas as evidências do caso. “Me parece que entramos agora numa linha de investigação definitiva”, disse o Caputo, que admitiu, contudo, uma “preocupação grande” relativa à possibilidade de desqualificação posterior da investigação decorrente das divergências entre as linhas de investigação dentro da própria Polícia Civil.

Reunião com o governador
A decisão de deixar nas mãos da própria Corregedoria da corporação a investigação da conduta das delegadas da Corvida e da 8ª DP foi tomada em reunião da cúpula da Segurança Pública do DF na manhã de ontem, na residência do governador Rogério Rosso. Segundo o advogado Eduardo Toledo, conselheiro da OAB designado para acompanhar o caso, “houve efetivamente graves problemas” e “irregularidades gravíssimas no âmbito dessa investigação” e que, por isso, “neste momento há uma ordem do governador, com a anuência da cúpula” para centralizar a divulgação de informações sobre o caso.

Toledo ressaltou, no entanto, que há, no momento, indícios que apontam o executor ou executores do crime, e que não se deve trabalhar com especulações a respeito do possível mandante nas investigações, e sim com “provas idôneas”. “É importante se dar credibilidade para que uma disputa interna de egos não atrapalhe”, disse o advogado.

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