Nota enviada ontem continha um erro no título. O local onde moravam duas crianças que morreram com suspeita de envenenamento é Caucaia, no Ceará, e não em Pernambuco.

O texto estava correto, foi atualizado, e segue novamente:

Duas crianças morreram e uma outra foi internada por suspeita de envenenamento. Elas haviam sido vistas anteontem por vizinhos brincando na rua onde moravam, em Caucaia, na Grande Fortaleza. Médicos do Instituto Dr. José Frota (IJF) afirmaram acreditar que o mais provável é que as crianças tenham ingerido inseticida ou raticida do tipo "chumbinho". Moradores afirmaram que elas engoliram partes de hortênsia, que é venenosa, ao brincarem de casinha, mas exames feitos na criança sobrevivente não indicaram a ingestão da flor.

Miquéias Vieira de Souza, de 5 anos, morreu no Hospital Santa Terezinha, em Caucaia. Ingrid Farias Rodrigues, de 7 anos, morreu logo depois de chegar ao IJF, na capital cearense. Uma outra menina, de 8 anos, irmã de Miquéias, foi internada nesse mesmo hospital e não corre risco de morte. Rosângela de Souza Melo, mãe de Miquéias, disse, ontem, em entrevista a um jornal local, que somente no hospital soube que as crianças tinham consumido veneno. Abalada com a morte do filho mais novo, que foi enterrado ontem, Rosângela não quis falar sobre o assunto.

A hortênsia, arbusto bastante usado em ornamentação e cultivado em jardins, é, segundo o médico pediatra Natanael Charles Cruz, altamente venenosa, pois ataca a cadeia respiratória. De acordo com o Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox) do IJF, as partes tóxicas da hortênsia são as folhas e as flores. Os sintomas da intoxicação por veneno são: cianose (coloração azulada, difusa, da pele e membranas mucosas), convulsões, dor abdominal, flacidez muscular, letargia, vômitos e coma.

A funcionária do Ceatox Luciana Soares afirmou que, dependendo da dose e do tempo de socorro, a hortênsia pode levar até à morte. Mas, segundo Luciana, exames feitos na única sobrevivente das três crianças não confirmaram envenenamento por hortênsia. "Temos quase certeza que não foi a planta a causa do envenenamento", disse a plantonista da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica do IJF Selma Parente.

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