A nota enviada anteriormente tem duas incorreções. A frase correta de Edinho Silva sobre Serra é evidente que ele demorou, e o PT propõe criação de frentes para contratação de 70 mil trabalhadores, e não 100 mil.

Segue a nota corrigida:

O governo de São Paulo demorou e foi tímido ao adotar medidas para combater os efeitos da crise econômica financeira mundial no Estado. Essa foi a avaliação do presidente estadual do PT, Edinho Silva, que reuniu-se na manhã de hoje com a bancada do partido na Assembleia Legislativa e com prefeitos da legenda no Estado para discutir as ações do "PAC paulista", anunciadas pelo governador de São Paulo, José Serra (PSDB), na semana passada.

"É positivo que o governador de São Paulo tenha vindo para o debate da crise. No entanto, ele pode e tem condições de cumprir outro papel", disse o petista. "Evidente que ele demorou. Não é só o PT que está dizendo isso, mas diversas outras instituições da sociedade civil e a própria imprensa. Além disso, ele poderia ser mais arrojado", acrescentou.

O PT apresentou hoje uma série de propostas para minimizar os efeitos da crise no Estado de São Paulo. O partido pede que o governo invista recursos na construção de 50 mil casas populares, a partir de recursos provenientes de uma parcela de 1% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). A legenda propõe também a criação de frentes de trabalho no interior do Estado, com a contratação de 70 mil trabalhadores, e solicita o descontingenciamento de R$ 1,5 bilhão em verbas destinadas a programas sociais como o Viva Leite, Jovem Cidadão e Meu Primeiro Emprego.

Além disso, o partido cobra a ampliação para 100 mil vagas no Programa de Qualificação Profissional do Estado e o descontingenciamento imediato de 60% do R$ 1 bilhão previsto para a Agência Estadual de Fomento, que começará a funcionar a partir de abril com o nome "Nossa Caixa Desenvolvimento". Segundo o PT, o governo de SP tem recursos suficientes para adotar essas ações. O partido cita que, no ano passado, o governo encerrou o ano com um superávit de R$ 7 bilhões, obteve autorizações para diversos empréstimos com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e organismos internacionais e ainda vai receber dinheiro da venda da Nossa Caixa ao longo dos próximos dois anos.

Edinho propõe também a criação de câmaras setoriais para a discussão sobre a situação entre governo, trabalhadores e empresários das principais cadeias produtivas do Estado. Ele criticou o fato de o governo ter beneficiado segmentos da indústria no anúncio do "PAC paulista" sem ter cobrado como contrapartida a garantia dos empregos dos trabalhadores.

Edinho também criticou a ausência de medidas novas no anúncio do "PAC paulista". Segundo ele, o anúncio da antecipação de reformas nas escolas estaduais e as medidas em relação à formação profissional e ao ensino técnico "não têm nada de novo". "Grande parte das medidas do 'PAC paulista' já estava prevista no orçamento. Além disso, os investimentos no Rodoanel e em outras obras também têm dinheiro do governo federal", declarou.

Parte dos pedidos do PT já foi prometida pelo 'PAC paulista', como a aceleração de obras na áreas de transportes e de saneamento, a concessão de vale-transporte para os desempregados, a ampliação de vagas no Programa Qualificação Profissional e a ampliação e a liberação de recursos para crédito destinado às micro e pequenas empresas e companhias voltadas à inovação tecnológica pertencentes a arranjos produtivos locais. O PT pediu também a redução do ICMS pago por consumidores de baixa renda na conta de energia e incentivos à agricultura familiar.

Dilma x Serra

O presidente do PT paulista evitou criticar o governador de São Paulo, que, na avaliação do partido, estaria fazendo campanha política antecipada. E usou o nome da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para justificar sua posição. "Temos de ter maturidade política. É preciso entender que tanto a ministra Dilma como Serra não podem deixar de cumprir agenda", afirmou. "Quem está no governo não antecipa eleição", destacou.

Ele negou também que a ministra tenha pedido ao PT paulista que elabore uma agenda para que ela visite o Estado. "A ministra Dilma nunca pediu ao PT que construa uma agenda em São Paulo. Ela tem hoje um papel institucional extremamente importante no governo Lula", declarou. "O que nós do PT pedimos à ministra é que, quando ela cumprir a agenda em São Paulo, se for possível, fora de seu horário de trabalho, crie espaço para dialogar com lideranças do PT, como prefeitos, vereadores e movimentos sociais. O papel de apresentar um projeto alternativo em São Paulo é do PT. Não é papel da ministra", reiterou.

Edinho, no entanto, questionou na Justiça a divulgação de propagandas institucionais da Sabesp em outros Estados. Na avaliação do partido, trata-se de uma ilegalidade, uma vez que a empresa tem atuação apenas em São Paulo. Além disso, o PT criticou também a participação de Serra em evento agropecuário no interior do Paraná, em Cascavel, na última sexta-feira. Edinho reconheceu que a mesma crítica é feita pela oposição à ministra Dilma. "Evidente que o processo político já está posto e é normal que haja essa troca de farpas. Chumbo trocado não dói", concluiu

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