Correção: PF indicia 5 e encerra inquérito sobre Enem

A nota enviada anteriormente continha um erro sobre os indiciamentos no segundo parágrafo. Segue o texto corrigido: A Polícia Federal (PF) concluiu hoje o inquérito que investigou o vazamento da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2009 e divulgou o nome de outras duas pessoas que participaram do esquema.

Agência Estado |

Segundo a PF, o mentor da operação foi Felipe Pradella, que contou inicialmente com a ajuda de dois colegas que trabalhavam com ele na empresa Cetro, uma das três que compunham o consórcio vencedor da licitação do Enem: Marcelo Sena, 20 anos, e Felipe Ribeiro, 21 anos. Eles tinham livre acesso à gráfica Plural, onde as provas foram impressas. Ambos foram indiciados por quebra de sigilo funcional e peculato, crime atribuído a servidor público ou a quem exerce função equiparada.

Pradella foi indiciado pelos mesmos crimes e também por extorsão por ameaçar a repórter do jornal O Estado de S. Paulo Renata Cafardo. "O caso está totalmente esclarecido", disse o chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários, Marcelo Sabadin Baltazar. Já o empresário Luciano Rodrigues - dono de uma pizzaria nos Jardins - e o DJ Gregory Camillo Craid foram indiciados por quebra de sigilo funcional.

Segundo ele, o primeiro caderno de provas foi furtado no dia 21 de setembro por Felipe Ribeiro, a pedido de Pradella, que escondeu a prova na cueca. No dia seguinte, foi Pradella quem furtou o segundo caderno de provas e escondeu debaixo da blusa de Marcelo Sena. Há imagens do circuito interno da empresa que mostram Sena levando a blusa para dentro de um veículo. "Com os dois cadernos de provas na mão, Pradella tentou obter dinheiro fácil", afirmou Baltazar.

Ameaças

A PF tem convicção de que foi Pradella quem ameaçou de morte a repórter Renata Cafardo, embora ele negue a ação. "Temos certeza de que foi ele", disse o delegado. A PF tem uma gravação telefônica, segundo a qual Pradella ameaça matar a repórter se ela não lhe desse R$ 10 mil em troca. Nenhum dos cinco indiciados foi preso e todos responderão ao processo em liberdade. "Não é caso de prisão", ressaltou Baltazar, que informou que Pradella tem antecedentes criminais - um crime contra o meio ambiente por soltar balões.

Segundo o superintendente em exercício da PF em São Paulo, Fernando Duran Poch, não houve motivações políticas para o crime, mas apenas interesse econômico. "As investigações mostram um grupo de amadores tentando obter dinheiro de uma maneira esquisita ao vender as provas para a imprensa", explicou Baltazar.

Pradella, Sena e Ribeiro assumiram o crime, mas negaram ter pedido R$ 500 mil para a imprensa pelas provas furtadas. De posse das provas, Pradella procurou o amigo e DJ Gregory Camillo, que tinha contato com jornalistas pelo fato de trabalhar na noite paulistana, e ambos procuraram o empresário Luciano Rodrigues, que fez o contato com o jornal O Estado de S.Paulo .

Em depoimento, Marcelo Sena disse que Pradella queimou os cadernos de prova furtados. Não há imagens do momento do furto das provas, mas os depoimentos indicam que os cadernos permaneceram o tempo todo com Pradella.

O superintendente em exercício disse que a PF fará também um relatório com sugestões ao Ministério da Educação para aprimorar o sistema de segurança de impressão das provas, o que evitaria vazamentos. Baltazar frisou que "a fragilidade é da empresa contratada, não do governo".

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