Corpos dos três jovens encontrados mortos no Rio serão enterrados nesta segunda

RIO DE JANEIRO ¿ Os corpos dos três jovens supostamente detidos por 11 soldados do Exército e que apareceram desfigurados e com marcas de tortura num lixão de Duque de Caxias serão enterrados às 16h desta segunda-feira, no cemitério São João Batista, em Botafogo.

Redação |

Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, moradores do Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio, teriam sido entregues no último sábado e mortos, menos de 12 horas depois, por traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi. A Justiça decretou a prisão temporária dos militares acusados ¿ sete soldados, três sargentos e um oficial.

O Comando Militar do Leste (CML) informou, em nota oficial, que abriu inquérito para apurar o caso e confirmou que os jovens foram abordados por uma patrulha do Grupamento de Unidades-Escolas da 9ª Brigada de Infantaria Motorizada na Praça Américo Brum, no alto do morro. Os militares estão presos administrativamente e aguardam decisão judicial. A Justiça decretou a prisão temporária dos acusados, por 30 dias, depois de solicitação feita pela Polícia Civil. A 4ª DP (Praça da República) investiga a ocorrência.

Em depoimento ao titular da 4ª Delegacia de Polícia, delegado Ricardo Dominguez, alguns dos suspeitos teriam confessado o crime. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk. O CML informou que as vítimas foram presas por desacato, mas que o comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos.

Testemunhas afirmam que elas ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes de uma facção rival a do Morro da Providência, onde os rapazes moravam. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil aos bandidos que as executaram. Os nomes dos 11 militares suspeitos não foram divulgados.

Os corpos das três vítimas - encontrados mutilados e com marcas de tiros por garis que trabalhavam no Aterro Sanitário de Gramacho, em Caxias - se encontram no Instituto Médico Legal (IML) do município. O laudo da necropsia vai confirmar qual o calibre das balas encontradas nos rapazes.

Soldados do 5º BPM (Harmonia), do Batalhão de Choque e do Grupamento de Rondas Ostensivas da Polícia Militar se revezam no policiamento do local e reforçaram a segurança nos acessos ao Morro da Providência para evitar protestos da população.

Protestos da população

No último domingo, cerca de 150 moradores tentaram invadir o quartel do Exército do CML, no Centro do Rio, mas foram impedidos pelo Batalhão de Choque. Os moradores teriam tentado conversar com um comandante do Exército, mas não foram ouvidos.

Segundo testemunhas, houve confronto e os policiais utilizaram gás lacrimogêneo e spray de pimenta para dissipar os manifestantes. Ônibus foram queimados nas proximidades. Temendo quebra-quebra, a viação Real alterou o itinerário dos coletivos que nesta segunda-feira não passarão pelos viadutos 31 de Março e São Sebastião, e no Túnel Santa Bárbara.

Morro da Previdência ocupado

Desde o mês de dezembro, 200 soldados do Exército e 200 homens da PM participam da ocupação do Morro da Previdência para garantir a realização de obras do projeto Cimento Social, do senador Marcello Crivela (PRB) e do Ministério das Cidades, que prevê a reforma da fachada de 780 casas da localidade. Wellington, que entregava pizzas para sustentar a mãe e os irmãos, faria testes para ingressar na construção civil nesta segunda.

Um grupo de colegas da vítima realizou protesto, pela manhã, em frente ao CML, exigindo explicações do caso. Eles ameaçam parar as obras caso os militares continuem ocupando a comunidade.

Prefeito César Maia comenta morte dos jovens

Em nota divulgada no seu ex-blog, o prefeito César Maia comentou o assassinato dos três jovens que teriam sido entregues pelos militares. O tráfico de drogas no morro da Providencia é controlado pelo Comando Vermelho. O tráfico de drogas na Mineira é controlado pela Amigos dos Amigos. Entregar na Mineira, jovens, especialmente insinuando que estavam no tráfico da Providência, é saber que serão assassinados, disse.

De acordo com César Maria, se confirmado que isso de fato ocorreu, quem fez esse "serviço sabia exatamente o que estava fazendo. Se alguns militares o fizeram, vai ser difícil aos demais continuarem a trabalhar lá, já que o trabalho de pintura de casas feito pelo exército, não interrompeu o tráfico de drogas no local, comentou.

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