Corpos achados na Baía de Guanabara podem ser indício de área de desova

RIO DE JANEIRO - A descoberta de sete corpos em meio ao material dragado no começo dos trabalhos de despoluição do Canal do Cunha, na Baía de Guanabara, causou espanto a operários, técnicos e engenheiros que atuam no local, assim como a policiais e entidades da sociedade civil voltadas ao combate à violência no Rio de Janeiro.

Agência Brasil |

É preciso acionar o que for possível para identificar esses corpos. Afinal, são pessoas, não apenas vítimas das guerras entre facções criminosas, como também podem estar ali corpos de pessoas sequestradas que nunca foram encontradas e de outros desaparecidos, afirma a cientista social Sílvia Ramos, uma das coordenadoras do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes.

Sílvia tem a mesma opinião da delegada Renata Teixeira, da 37ª Delegacia de Polícia, na Ilha do Governador ¿ responsável pelo inquérito para apurar o caso¿, quando diz que se trata de uma área de desova usada pelos assassinos. A polícia acredita que os crimes foram cometidos em outros pontos e os cadáveres foram atirados da Linha Vermelha no canal.

A coordenadora do centro explica que os grupos de extermínio são antigos, com 20 anos de atuação na cidade. Eles nasceram da ideia de que a execução, o extermínio de pessoas, resolve o problema. Se continuar a dragagem, vão encontrar mais corpos, quem sabe até de pessoas que entraram de carro sem querer numa área de conflito e desapareceram.

Os responsáveis pelas obras de despoluição do Canal do Cunha e do Canal do Fundão, acostumados a recolher geladeiras, fogões, móveis e até carcaças de automóveis, tomaram um susto ao deparar com os corpos, segundo o engenheiro Antônio da Hora, que coordena os trabalhos.

A despoluição dos dois canais, há tempos fonte do mau cheiro enfrentado por quem chega ao Rio de Janeiro em voos para o Aeroporto Internacional Galeão - Antonio Carlos Jobim, começou há um mês e é uma das exigências ambientais do Comitê Olímpico Internacional para a realização das Olimpíadas de 2016 na capital fluminense.

Os recursos, R$ 194 milhões, vêm da Petrobras, como resultado do acordo entre a empresa, multada pelo vazamento de pelo menos 800 toneladas de óleo da Refinaria Duque de Caxias (Reduc) na Baía de Guanabara, em 2000. Supervisionados pela Secretaria do Ambiente, por meio do Instituto Estadual do Meio Ambiente (Inea), os trabalhos têm assessoria tecnocientífica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A cientista social Sílvia Ramos diz que a identificação dos sete corpos encontrados, bem como de outros que possam aparecer durante a dragagem dos canais, deve ser questão de honra para a Secretaria de Segurança. As pessoas que vivem naquela região já são estigmatizadas, escondem seu endereço, dizem que moram na Penha ou em outro bairro, porque se contarem que moram no Complexo da Maré não arrumam emprego, não arrumam nem namorada.

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