Corpo de professor morto por aluno é enterrado em Minas Gerais

Centenas de pessoas participam de velório de professor em Betim. Jovem de 23 anos confessou o crime, segundo a polícia

Alessandra Mendes, especial para o iG | |

O corpo do professor universitário Kássio Vinicius de Castro Gomes, assassinado por um aluno na noite de terça-feira, foi enterrado na tarde desta quinta-feira em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte. O Sindicato dos Professores da Rede Privada de Minas Gerais (Sinpro-MG) programou para o fim da tarde um ato público contra a violência na região central de Belo Horizonte. Em nota, a entidade argumentou que "o ocorrido não pode ser tratado como mera fatalidade" e cobrou das instituições de ensino uma discussão sobre a violência nas faculdades e nas escolas particulares.

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Funeral do professor Kássio Vinicius Castro Gomes no Cemitério Parque Cachoeira, em Betim
O professor, de 39 anos e que dava aulas no curso de Educação Física, foi esfaqueado pelo estudante do 5º período Amilton Loyola Caires, de 23 anos, dentro da faculdade particular Instituto Metodista Izabela Hendrix, na capital mineira.

O corpo de Gomes estava sendo velado desde o fim da tarde de quarta-feira. Centenas de pessoas, entre familiares, alunos, colegas e amigos da vítima acompanharam a cerimônia de sepultamento no cemitério Parque da Cachoeira, em Betim, na região metropolitana. Parentes do professor cobraram justiça.

"O caso, trágico, revela a relação tensa e de desrespeito que milhares de docentes têm vivido no interior das escolas. Há muito tempo os donos de escolas vêm sendo informados pelo sindicato do aumento da violência contra a categoria no cotidiano escolar", afirmou o Simpro-MG, no comunicado. No ano passado, a entidade divulgou uma pesquisa em que apontava que 24% dos 686 docentes entrevistados afirmaram que já haviam sofrido violência física durante o trabalho.

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Centenas de pessoas, entre estudantes, professores, parentes e amigos, prestaram homenagem ao professor
"Nesse ambiente, a diretoria entende que o ocorrido não pode ser tratado como mera fatalidade e as instituições de ensino não podem furtar-se a debater o assunto, como tem ocorrido. Não devem acreditar que apenas dotar o espaço escolar de profissionais e equipamentos de segurança seja suficiente para afastar os problemas; devem estar abertas ao diálogo e à reflexão, além de promovê-los com toda a comunidade acadêmica", destacou a nota.

A motivação do crime teria sido o descontentamento do aluno com uma nota dada pelo professor de educação física, que resultou na reprovação do estudante. Contudo, em depoimento, Amilton disse que, na verdade, estava sendo perseguido pelo professor, mas que não tinha intenção de matá-lo . A família do estudante alega que ele sofre de esquizofrenia e toma remédios controlados.

Violência é recorrente nas instituições particulares de Minas

De acordo com o presidente do sindicato dos professores das escolas particulares de Minas Gerais, Gilson Reis, uma pesquisa realizada pelo sindicato em parceria com a PUC Minas aponta que casos de violência não são novidade nas instituições particulares do Estado.

O estudo revela que mais da metade (62%) dos professores disse ter presenciado alguma agressão verbal nas salas de aula e 20% presenciaram o tráfico de drogas na escola.

O estudo aponta ainda que 39% dos professores relataram ter visto situações de intimidação, e 35%, de ameaça. O presidente do Sindicato, Gilson Reis, ainda explica que a maior parte dos conflitos entra para a cifra negra da segurança pública. "Os diretores e administradores das escolas se negam a registrar ocorrências para não manchar a imagem dos estabelecimentos. Isso acaba por maquiar o verdadeiro número de ocorrências de registro de violência dentro das escolas particulares".

* com informações da Agência Estado

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