Corpo de morta em explosão é enterrado em Santo André

SÃO PAULO - O corpo de Ana Maria de Oliveira Martins, de 58 anos, foi enterrado nesta sexta-feira no Cemitério da Vila Curuçá, localizado na rua Coreia, em Santo André. Ana Maria morreu na explosão de uma loja de fogos de artifício na cidade, no início da tarde de quinta.

Redação com Agência Estado |

Ela era empregada da família de Sandro Luiz Castellani, dono do local. A explosão também matou o primo de Sandro, Denian Castellani, de 41 anos, e deixou outras 12 pessoas feridas. O corpo de Ana Maria foi velado desde a noite de quinta-feira na Igreja de Cristo Pentecostal no Brasil, na rua Manuel Vaz, Vila Alzira, em Santo André, no ABC paulista.

Quatro casas foram destruídas e 30, evacuadas, afetando cerca de 100 pessoas, de acordo com o diretor da Defesa Civil de Santo André, João Batista Camargo.

A prefeitura da cidade ainda informou que todos os 12 feridos sofreram apenas escoriações leves. Destes, dois foram transferidos, outros dois estão em observação no Centro Hospitalar Municipal, e oito já tiveram alta. As buscas por vítimas foram encerradas no começo da noite desta quinta-feira.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o dono da loja de fogos, Sandro Luiz Castellani, ainda está desaparecido.

AE
Bombeiros trabalham no local da explosão nesta quinta-feira

Alvará

De acordo com a Secretaria de Comunicação de Santo André, a loja não tinha alvará para a venda de fogos de artifício. A prefeitura informou em nota que o comércio de fogos de artifício na cidade é regido pela lei municipal 6.633/90, que determina que a venda do produto deve ser no varejo e permite o comércio por 60 dias, podendo ser prorrogado por mais 30 dias.

Segundo a prefeitura, em 7 de maio de 2009, o responsável pelo local entrou com um pedido para venda de fogos de artifício no varejo. No dia 23 de junho, a prefeitura comunicou ao interessado que este precisava apresentar um novo Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), documento necessário para conseguir o alvará de funcionamento, tendo em vista que o vencimento deste foi em 16 de junho.

Mas, como o dono da loja não teria apresentado o novo AVCB, o pedido para a venda de fogos de artifício foi negado no último dia 14, sendo comunicado ao solicitante no último dia 16.

"Enviamos dois comunicados solicitando o laudo dos bombeiros. A loja
tinha alvará para comércio, mas para fogos, não", disse o secretario de Habitação, Frederico Muraru Filho. "A cidade é grande. Por isso, damos prioridade na fiscalização de onde há denúncia, e que eu saiba, não houve denúncia neste local".

A explosão

A explosão aconteceu minutos antes de os bombeiros serem acionados, às 12h45. O Comandante dos Bombeiros do Estado de São Paulo, Luis Alberto Navarro, afirmou que no estabelecimento havia muita pólvora e que a partir do centro da explosão, duas quadras foram atingidas.

O Corpo de Bombeiros cercou quatro quarteirões em torno da rua em que aconteceu o acidente - rua Américo Guazzelli, próxima ao Estádio Bruno José Daniel. 

Cerca de 70 agentes da Guarda Municipal de Santo André trabalharam no local do acidente junto com outros 35 profissionais da Defesa Civil, 30 do Serviço de Saneamento Ambiental, além de 12 viaturas do Samu, 20 agentes de trânsito e cães farejadores.

Logo após o acidente, a assessoria de imprensa do Gabinete da Prefeitura de Santo André informou, erroneamente, que 11 pessoas teriam morrido em decorrência do acidente. Minutos depois, recuou e disse que não daria novas informações devido aos equívocos anteriores.

" Parecia o fim do mundo"

Sônia, de 55 anos, que mora a cerca de 600 metros do local, contou ter ouvido "uma explosão atrás da outra". "Ouvi um barulho muito forte, olhei pela janela e vi fogo. Parecia o fim do mundo", afirmou ela, que, assustada, se escondeu atrás da parede do corredor de sua casa. "A redondeza está horrível, tem gente correndo, chorando", afirmou.

Uma internauta do Último Segundo , que mora em Santo André, a aproximadamente sete quilômetros do local, disse que ouviu o barulho de casa. Pensamos que tinha caído um avião. Foi um barulho muito forte , disse Raquel.

Outro leitor disse que "o cheiro de pólvora era muito forte" e mandou fotos da fumaça .

O guarda municipal Antônio Scaramel afirmou que sua irmã, dona de uma corretora de seguros localizada na esquina da rua Américo Guazzelli, relatou que o barulho foi assustador. "Pensei que fosse um avião que tivesse caído", disse.

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