Corpo de Jefferson Péres é enterrado neste sábado em Manaus

BRASÍLIA - O corpo do senador Jefferson Péres (PDT-AM), de 76 anos, que morreu na sexta-feira, será sepultado às 16h deste sábado no cemitério São João Batista, no bairro Adrianópolis, em Manaus.

Redação com agências |

O corpo está sendo velado desde a tarde de sexta-feira no Centro Cultural Palácio Rio Negro, antiga sede do governo do Amazonas, em Manaus. Muitos amigos, políticos e autoridades passaram pelo local para se despedir do senador, que sofreu um ataque fulminante em sua casa.

A família esperou a chegada do filho mais novo de Péres, Ronald, que vive nos Estados Unidos, para poder marcar a hora do enterro. A Força Aérea Brasileira (FAB) colocou também um avião à disposição do Senado para quem quiser acompanhar o sepultamento.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou luto oficial no País por três dias por causa da morte do senador. O vice-presidente José Alencar representará Lula neste sábado.


Jefferson Péres era senador pelo PDT de Amazonas / Agência Brasil

Jefferson Péres era professor, advogado e tinha longa carreira de vereador em Manaus, onde nasceu. No Senado, ocupava vaga desde 1995. Ele exercia seu segundo mandato de senador.

Péres era casado com Marlidice, juíza aposentada, e tinha, além de Ronald, outros dois filhos, Romulo e Roger.

Embora pertencente a um partido da base aliada ao Palácio do Planalto, o senador sempre adotou uma postura crítica em relação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele foi candidato a vice-presidente nas últimas eleições na chapa encabeçada por Cristovam Buarque, senador pelo PDT-DF.

Discurso e política

Na última quarta-feira, Jefferson Péres fez seu último pronunciamento em Plenário, quando afirmou que o debate sobre a internacionalização da Amazônia deve ser enfrentado com bom humor e que os brasileiros não devem reagir de modo enraivecido a menções a respeito do tema. Na véspera, na ausência do senador José Maranhão (PDMB-PB), o senador havia sido designado relator da proposta de emenda à Constituição que visa acabar com o nepotismo nos Três Poderes, aprovada, em seguida pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

Péres morreu decepcionado com a política e seus sucessivos escândalos de corrupção. O senador, que tinha a ética como uma de suas principais bandeiras, já havia anunciado que não mais se candidataria. Apenas pretendia exercer até o fim, em 2011, seu atual mandato. Franco, duro, exigente, probo e profundamente ético eram os adjetivos mais usados, até mesmo por seus opositores, para referir-se a ele.

Repercussão em Brasília

Mal soube da morte do líder do PDT, Jefferson Péres, o presidente do Senado, Garibaldi Alves, dirigiu-se ao Congresso, onde chegou expressando sua tristeza. Ele disse que Péres será sempre lembrado por sua atuação como um combatente em defesa da democracia e da Amazônia.

"Perdemos um grande senador, um grande homem público, um homem dedicado à defesa da nossa democracia. Era um dos sustentáculos da coluna vertebral do Senado ", afirmou Garibaldi.

O ministro do Trabalho Carlos Luppi estava indo para um evento no Rio quando ouviu no rádio sobre a morte do colega de partido. "O PDT perde um homem que tinha coerência muito forte, ético, leal, um grande dirigente. Perde alguém que nunca vamos conseguir substituir. Além de um grande quadro do partido, também era um grande amigo. Frágil na estrutura física, mas forte nas convicções", afirmou Luppi. 

O ministro comentou ainda que os dois estiveram juntos na última semana, discutindo a mudança da sede do partido em Manaus e que hoje pela manhã recebeu "uma péssima surpresa". Luppi aguarda cofirmação de vôo para embarcar ainda nesta sexta-feira para Manaus, onde ocorre o velório de Péres.

O deputado Vieira da Cunha (RS), presidente nacional do PDT, estava no Congresso Nacional na manhã desta sexta-feira e afirmou que toda a política perde com a morte de Péres. "Estamos todos tristes e essa tristeza não se limita ao partido, pois ele era uma referência ética do Congresso Nacional. Sempre lutou em prol da ética, da probidade administrativa e da transparência na administração pública. Com seu falecimento, não só o PDT, mas a política nacional fica mais pobre", afirmou Cunha. "Vamos procurar usar seu exemplo para resgatar a credibilidade da política e das instituições públicas", completou.

O presidente do PDT voa ainda hoje para Manaus para acompanhar o velório e o enterro do senador.

Já o ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou que será uma grande perda para o Senado. "Ele fazia sua função, tarefa e desempenho de forma interessante. Era também um grande amigo. É uma perda para a política brasileira", disse.

Marco Aurélio Garcia também ressaltou a falta que o senador fará a política do Brasil. "É uma perda importante para o Senado, não só em sua lucidez, mas em sua visão de País. Já tivemos algumas divergências sobre política exterior, mas quero dizer que isso foi absolutamente secundário", afirmou Garcia.

Biografia de Jefferson Péres

Nascido em Manaus, em 1932, Jefferson Péres era formado em direito e administração com pós-graduação em ciência política. Antes de se tornar político, ele lecionou na Universidade Federal do Amazonas.

Péres iniciou sua vida parlamentar em 1988, quando foi eleito vereador, tendo sido reeleito em 1992. O político chegou ao Senado em 1995, onde se destacou por seu trabalho em prol da agilização da Justiça e pela reestruturação da Zona Franca de Manaus. No Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, foi o relator do processo que levou à cassação do ex-senador Luiz Estevão.

Filidado ao PDT desde 1999, Jefferson Péres era o atual líder do partido no Senado. Ele foi candidato à vice-presidência nas eleições de 2006, na chapa do também senador pedetista Cristovam Buarque, do Distrito Federal.

Leia mais sobre Jefferson Péres

* Com reportagem de Severino Motta, da Santafé Idéias, e informações da Agência Estado e Agência Senado

    Leia tudo sobre: jefferson peres

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG