Corpo de delegado é enterrado sob forte comoção no Rio

RIO DE JANEIRO ¿ O corpo do delegado titular da 20ª DP (Vila Isabel) Alcides Iantorno de Jesus, de 66 anos, foi enterrado, sob forte clima de comoção e indignação, nesta segunda-feira, no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, zona oeste do Rio. Ele foi executado, com um tiro na nuca, no último domingo, no Recreio dos Bandeirantes. O homicídio foi visto como uma afronta ao Estado por vários policiais.

Redação |

Cerca de mil pessoas acompanharam o cortejo, entre elas o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, e o chefe da Polícia Civil, Gilberto Ribeiro. O secretário informou que as investigações já estão sendo realizadas e que a morte de Iantorno não vai intimidar a atuação da polícia no Rio, que vem realizando diversas incursões em morros da cidade, de acordo com a postura de enfrentamento defendida pelo governador Sérgio Cabral.

O corpo do delegado foi velado na Academia de Polícia, no Centro. Esta foi a primeira vez, nos últimos 30 anos, que a execução de um delegado foi registrada no Rio.

Oito ligações anônimas para Disque-Denúncia

O coordenador do Disque-Denúncia, Zeca Borges, disse, ter recebido oito ligações anônimas com informações sobre a execução de Alcides, todas referentes ao suposto autor do crime. Vamos acompanhar as investigações e estimular a população para que o caso seja solucionado o mais rápido possível. Se esgotarmos todas as opções, estudaremos o lançamento de uma campanha para tentar localizar o responsável, adiantou.

Todas as informações estão sendo repassadas para o titular da Delegacia de Homicídios, Roberto Cardoso, que investiga a ocorrência.

O crime

Alcides foi morto na entrada de um supermercado, no bairro do Recreio dos Bandeirantes. Muitos policiais, vários deles indignados, e familiares foram ao local do crime. A Polícia Civil acredita que o assassinato tenha sido planejado. O delegado era bastante atuante no combate ao jogo do bicho e às milícias na zona oeste carioca.

O crime, cometido em frente ao supermercado Zona Sul, chocou a polícia carioca. Segundo testemunhas, o ex-delegado chegava desarmado ao estabelecimento, por volta das 8h15, vestindo bermuda e chinelos, quando foi executado por um homem, ainda não identificado. O suspeito, antes de fugir num veículo de placa não anotada e com película escura nos vidros, efetuou vários disparos para o alto, assustando fregueses do estabelecimento.

De acordo com testemunhas, o bandido vestia jeans, camisa pólo vermelha e usava um boné para cobrir o rosto. O corpo do policial foi retirado pela porta dos fundos do supermercado, às 11h, na mala de uma Blazer da Polícia Civil.

A possibilidade de que um comparsa tenha participado do assassinato está sendo apurada pela polícia. As imagens do circuito interno do supermercado foram requisitadas pela corporação, mas foi constatado que elas não têm qualidade suficiente para ajudar nas investigações. Especula-se que a arma do crime tenha sido uma pistola 380, tipo usado pela Polícia Militar.

Durante todo o dia de ontem, equipes da Divisão de Homicídios, da DH Oeste e da 16ª DP (Barra da Tijuca) fizeram rondas e ouviram testemunhas, procurando pistas que pudessem esclarecer o crime.

Veículo utilizado foi identificado

A polícia identificou o proprietário do Palio prata, com placa de Itaboraí, utilizado pelo assassino e um comparsa momentos após a execução de Alcides. O autor do disparo que matou o delegado desceu do veículo e o seguiu. Depois de atirar contra Iantorno, o bandido entrou no automóvel, que virou à direita na Avenida Gláucio Gil, e partiu em alta velocidade no sentido zona sul. O Pálio foi filmado por câmeras da CET-Rio que registraram características do veículo.

Ação orquestrada

A polícia investiga a informação de que, meia hora antes do assassinato de Iantorno, por volta das 7h45, uma ligação foi feita para o 31º BPM (Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Vargens Grande e Pequena) relatando a ocorrência de um arrastão na Estrada dos Bandeirantes, no Recreio, bairro onde o ex-delegado foi morto.

Nesta ligação, uma pessoa ainda não identificada, disse que 15 homens estavam assaltando motoristas na via, o que obrigou a PM a deslocar efetivo para a área, desguarnecendo o local do crime.

Policial atuante

Há 42 anos em atividade, Alcides foi diretor da Polinter, a Divisão de Capturas da Polícia Civil, e titular de cinco delegacias. Ele deixou a 22ª DP (Penha) em fevereiro, onde investigava a milícia a favela Kelsons e o tráfico de drogas do Complexo do Alemão. Por causa de seu trabalho, dois PMs ligados à milícia foram presos. O ex-delegado também foi responsável pela prisão do traficante Celsinho da Vila Vintém e mais recentemente fechou um bingo ilegal.

A hipótese de que ocorreu um latrocínio ¿ roubo seguido de assassinato ¿ foi descartada, já que nenhum pertence da vítima foi levado. A polícia assegurou que Iantorno não vinha sofrendo ameaças de morte.

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