Corpo de Clodovil Hernandes chega ao cemitério do Morumbi

SÃO PAULO - O corpo do deputado e estilista Clodovil Hernandes, de 71 anos, chegou ao cemitério do Morumbi por volta das 16h40, onde vai ser sepultado. O caixão de Clodovil foi fechado às 16h, sob os aplausos de amigos e fãs presentes no velório na Assembleia Legislativa de São Paulo. Clodovil morreu por causa de um acidente vascular cerebral (AVC) seguido de uma parada cardíaca na tarde desta terça-feira.

Amanda Demétrio e Carol Garcia, do Último Segundo |

O velório de Clodovil começou por volta das 12h e o corpo do deputado chegou carregado por amigos e assessores. A homenagem foi aberta ao público a partir das 12h30, e as visitações se encerraram às 15h35.

De acordo com a Polícia Militar, mais de 1000 pessoas passaram pela Assembleia Legislativa. Diversas coroas de flores foram enviadas ao velório de Clodovil e as homenagens chegaram de vários lugares. Algumas das coroas foram mandadas pelo presidente Lula e a primeira-dama Marisa Letícia, pelo presidente do Senado, José Sarney, por Silvio Santos e pelo Governo do Estado de São Paulo.

AE

Corpo chegou carregado por amigos e assessores; velório foi aberto ao público


Presente no velório, Michel Temer (PMDB-SP), presidente da Câmara dos Deputados, falou que Clodovil "era um grande político e cidadão". Temer também disse que Clodovil "marcou presença, era uma pessoa muito forte, e era intrinsicamente polêmico."

O cantor e vice-prefeito de São Bernardo do Campo, Frank Aguiar (PTB), disse que Clodovil "se destacou como deputado e estilista, e vai ficar na memória eternamente". O político afirmou que conversava sempre com o deputado e, na última vez em que estiveram juntos, Clodovil havia ironizado o fato de que Frank Aguiar não foi lhe visitar quando esteve internado.

Durante o velório, Agnaldo Timóteo, vereador da cidade de São Paulo, cantou a música "Noites Traiçoeiras" e foi aplaudido. O vereador destacou a inteligência e a humildade de Clodovil.

O deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP) disse que a morte de Clodovil representa "uma grande perda para o partido. Clô queria instalar nas favelas a 'Casa Clô'. Ele estava se preparando para isso aprendendo a trabalhar na Câmara."

Neto também disse que o estilista "sempre dizia que iria mudar Brasília" e ressaltou a personalidade polêmica do colega de partido.

O presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), Barros Munhoz (PSDB), disse que Clodovil "teve tempo para se familiarizar com a política, mas foi uma passagem muito rápida". O presidente também disse que o estilista "ficou muito abalado com o julgamento [do TSE, sobre infidelidade partidária], ele era muito sensível e ficou chocado com os embates da política."

Ele segue dizendo que Clodovil "nunca refreou sua maneira de pensar, nunca se omitiu, por isso foi amado ou odiado. Da minha parte foi amado e quando estava errado, perdoado."

Segundo informações da assessoria de imprensa do deputado, um avião da Força Aerea Brasileira trouxe o corpo de Clodovil de Brasília para São Paulo.

"Casa Clô" e assistência

A advogada de Clodovil, Maria Hebe Pereira de Queiroz, disse que, de acordo com o testamento do deputado, todos os valores que ele tivesse para receber deveriam ser revertidos para a criação de uma fundação com o nome da mãe dele, Isabel. A "Fundação Isabel" iria manter a "Casa Clô", que seria uma casa rosa, para abrigar meninas carentes e educá-las.

De acordo com a advogada, os valores que Clodovil tinha para receber são oriundos de processos com a TV Bandeirantes, cujo pagamento já está confirmado, e com a Rede TV, que ainda pode recorrer.

A casa de Clodovil em Ubatuba não poderá ser vendida pois está localizada no meio da Mata Atlântica e ele tinha apenas a permissão de uso do imóvel. Segundo Ana Maria, a vontade do deputado era colocar sua casa em visitação e cobrar uma taxa, que seria revertida para a cidade de Ubatuba, ou para a "Casa Clô". "Ele falava sempre 'não dê na mão de políticos', ele pedia sempre para comprar algo para a cidade", disse a advogada.

Sobre o temperamento do estilista, Ana Maria disse que "Clodovil sempre foi irreverente, difícil, mas muito dócil. Uma pessoa maravilhosa."

No velório, houve um desentedimento entre a advogada de Clodovil e o presidente do Partido Trabalhista Cristão (PTC), Ciro Moura , legenda que o estilista deixou em 2007.

A presidente de honra da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), Jô Clemente, conhecia Clodovil desde que ele tinha 20 anos e disse que ele "era uma pessoa bem encrenqueira, mas se você espremesse todas as frases dele, ia encontrar algo bom, ele era uma pessoa ótima." Ela também afirmou que o deputado sempre ajudou a Apae quando ela pediu. "Ele nunca me negou nada", disse Jô.

Uma vizinha de Clodovil em Ubatuba, Lívia Sacoman, de 38 anos, disse que frequentava a casa do estilista há mais de 10 anos e que sua família era bem próxima dele. Sua mãe era cabeleireira do deputado e seu tio, pianista de um de seus programas. Lívia diz que "ele era o que parece na TV, quando gostava, gostava mesmo, senão...".

Segundo ela, Clodovil "às vezes se achava o centro do Universo, mas era uma pessoa ótima."

Chorando bastante ao lado do caixão, a atriz Vida Vlatt, que durante cerca de um ano trabalhou com Clodovil no programa A Casa é Sua, da Rede TV!, interpretando a doméstica Ofrásia, disse que Clodovil "vai deixar uma saudade imensa, tão grande quanto a alegria que ele me deixou."

Maria Guimarães foi cozinheira de Clodovil por quase 10 anos e teria inspirado a personagem, "Ofrásia". Maria, que era chamada carinhosamente de "Maricota" por Clodovil, disse que a relação dos dois era de pai e filha" e tudo que ela sabe "sobre cozinha e cuidar de uma casa", aprendeu com o estilista.

AE

Homenagem de populares

Muitos fãs também estiveram presentes no velório para uma última homenagem. Enedila Lopes Ribeiro, policial civil, disse que "sempre quis conversar com ele [Clodovil] e nunca tive oportunidade, pena que ele não deixou herdeiros."

"Me sinto como uma herdeira dele pela classe, maneira de ser e educação", disse, enquanto se abanava com um leque de renda. "Ele é um exemplo e trazia ensinamentos para quem assistia o programa dele". Enedila disse que não acompanhou o trabalho de Clodovil como político.

Cristina Marques disse que era muito amiga de Clodovil. "Clô foi um grande revolucionário, precursor da alta costura e da moda no Brasil, junto com Ronaldo Ésper."

Ela também afirmou que Clodovil "deixou um legado do bom gosto, do refinamento, arte de alto nível e garra para os artistas continuarem, através da arte, tornando o país um lugar mais igualitário e menos egoísta". Cristina finaliza, dizendo que, "acima de tudo era um garoto órfão que se tornou um ícone brasileiro, um exemplo a ser seguido."

AVC


O deputado sofreu o acidente vascular cerebral, na segunda-feira, e foi encontrado caído ao lado de sua cama por um assessor. Na terça-feira, após ser submetido a exames, foi constatada morte cerebral por volta das 15h45.

O parlamentar foi mantido vivo por aparelhos e medicamentos para que fosse avaliada a possibilidade de doação de órgãos. Porém, por volta das 19h de terça-feira, o deputado teve uma parada cardíaca e morreu, impossibilitando o procedimento.

A doação chegou a ser consentida por pessoas próximas a ele, pois, filho único e adotivo, Clodovil não mantinha contato com outros parentes. A doação foi até autorizada pelo Ministério Público do Distrito Federal.  "Sempre escutei dele essa vontade de doar seus órgãos caso houvesse essa necessidade, explicou a assessora de imprensa dele, Berta Pelegrino.

Na Câmara dos Deputados, a vaga de Clodovil será ocupada pelo primeiro suplente,  coronel Paes de Lira (PTC-SP).

Veja a trajetória de Clodovil Hernandes

(*Colaborou Danielle Ferreira, com informações da Agência Estado.)

Leia também:

Leia mais sobre: Clodovil Hernandes

    Leia tudo sobre: clodovil

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG