Corpo de Celso Pitta é velado na Assembleia Legislativa de São Paulo

SÃO PAULO - O corpo do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta está sendo velado na tarde deste sábado no hall da Assembleia Legislativa da cidade. Uma bandeira do PTB cobre uma parte do caixão. O enterro está marcado para as 17 horas, no cemitério Getsêmani, no Morumbi, na zona sul da capital paulista.

iG São Paulo |

AE
Roni Golabec, atual
companheira de Pitta,
chora durante velório
Alguns amigos estão presentes ao velório, como a dermatologista Ligia Kogos. "Pitta nunca se queixou da doença. Ele caiu numa armadilha política e não esperava que depois disso tudo ia sofrer tamanho abandono", disse ela aos jornalistas.

O ex-secretário de Esportes na gestão Pitta, Fausto Camunho, disse que o ex-prefeito "não teve apoio político em todo o período em que esteve na Prefeitura". "Eu tive todo o apoio necessário quando estava na secretaria. Foi na gestão dele que criei a escolinha de esportes da Prefeitura." Camunho disse que falou por telefone com Pitta nos últimos dias e que o ex-prefeito estava desanimado.

Câncer

O ex-prefeito, que vinha lutando contra um câncer no intestino, morreu na noite de sexta-feira , no hospital Sírio Libanês.  Pitta estava internado desde 3 de novembro sob os cuidados das equipes dos médicos Raul Cutait e Paulo Hoff.

"Estão todos abalados. A atual convivente está muito abalada, descansando para ir ao velório depois. A mãe dele também está muito abalada. As pessoas com quem tive contato estão muito tristes e já estavam assim com o andamento da doença", afirmou nesta manhã o advogado do ex-prefeito, Remo Bataglia, em entrevista em frente ao hospital em São Paulo.

O advogado afirmou que na avaliação do próprio Pitta houve um agravamento de sua doença em decorrência do que ele passou em 2008 e 2009. Ele se referia a processos judiciais enfrentados pelo ex-prefeito na área de família e da Operação Satiagraha da Polícia Federal.

Segundo o advogado, Pitta enfrentou a doença com muita bravura. "Ele continuou fazendo exercícios e manteve sua dieta, porque era diabético", afirmou. Ele ressaltou que o ex-prefeito passava por dificuldades financeiras conhecidas, "inclusive não tendo como pagar pensão alimentícia" à ex-mulher Niceia Camargo. Pitta chegou a cumprir prisão domiciliar, por 30 dias, em maio deste ano em decorrência do não-pagamento da pensão alimentícia à ex-mulher.

De acordo com Battaglia, os processos em que Pitta estava envolvido terão continuidade mesmo após o falecimento do ex-prefeito, para apurar responsabilidades. Ele informou ainda que o patrimônio de Celso Pitta está bloqueado.

O estado de saúde de Pitta se agravou muito nos últimos dias e o quadro já estava irreversível. No dia 24 de janeiro, o ex-prefeito passou por uma cirurgia no mesmo hospital para retirada de um tumor no intestino.

A vida de Pitta

Formado pela Faculdade de Economia e Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Pitta era mestre em economia pela Universidade de Leeds, na Inglaterra, com curso de Administração Avançada em Harvard, nos Estados Unidos. Foi executivo de várias empresa, entre elas, a Eucatex, da família Maluf, onde trabalhou por mais de 10 anos.

Na vida política, Pitta foi secretário municipal das Finanças da gestão de Paulo Maluf (PPB) na prefeitura de São Paulo. Em 1996, Maluf lançou seu secretário como candidato a prefeito de São Paulo. Se Celso Pitta não for um grande prefeito, nunca mais votem em mim, repetia Maluf na campanha na televisão. Eleito com 57,37% do votos em 15 de novembro de 1996, Pitta assumiu o cargo de prefeito da maior cidade do País.

Celso Pitta esteve à frente da Prefeitura de São Paulo de janeiro de 1997 e dezembro de 2000. O mandato foi marcado por suspeitas de corrupção, com denúncias surgindo em março de 2000, principalmente por parte de sua ex-esposa Nicéia Camargo. As denúncias envolviam vereadores, subsecretários e secretários - entre as denúncias, está o escândalo dos precatórios. Ele foi afastado do cargo por 19 dias em 2000, acusado de usar a Prefeitura em beneficio próprio, mas foi reconduzido pela Justiça. 

No ano passado, Pitta teve seu nome envolvido nas investigações da operação Satiagraha, coordenada pela Polícia Federal. O ex-prefeito chegou a ser preso, mas foi libertado graças a um habeas-corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

*Com Agência Estado

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