Corpo de Celo Pitta deixa Assembleia Legislativa e segue para cemitério

Cerca de 600 pessoas participaram do velório do corpo do economista e ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, no saguão da Assembleia Legislativa de São Paulo, na zona sul da capital paulista. O enterro estava previsto para as 17 horas, no cemitério Getsêmani, no Morumbi, mas atrasou. O cortejo fúnebre saiu da Assembleia Legislativa em direção ao cemitério pouco depois das 16 horas.

iG São Paulo |

Durante o velório, mais próximo ao caixão estiveram a mãe de Pitta, dona Zuleica, de 89 anos, a viúva, Rony Golabeck, os filhos Vítor e Roberta Pitta.

AE
Roni Golabec, atual
companheira de Pitta,
chora durante velório
Celso Pitta também foi casado com Nicéa Camargo, de quem se separou em 1999 e enfrentou desavenças. Nicéa não compareceu ao velório nem o ex-prefeito Paulo Maluf, de quem Pitta foi apadrinhado. Maluf enviou um telegrama de condolências à família Pitta e disse estar fora de São Paulo.

Durante o velório, o cantor e vereador Agnaldo Timóteo (PR-SP), de frente para o caixão com o corpo de Pitta, declarou: "Desculpa por não tê-lo defendido da maneira que merecia". Timóteo lembrou que Pitta morreu no Dia da Consciência Negra e questionou: "Onde estão os negros que deveriam ter lutado por Pitta?"

O deputado estadual Antonio Salim Curiati (PP-SP), ex-secretário para Assuntos Comunitários na gestão de Celso Pitta na Prefeitura de São Paulo, disse que o ex-prefeito não teve sorte com a ex-mulher e enfrentou muitas desavenças que tumultuaram sua vida.

O deputado federal Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) afirmou que "o tempo vai demonstrar que Pitta foi muito injustiçado". Segundo ele, a sociedade paulista não aceitou que um negro assumisse a Prefeitura de São Paulo.

O investidor Naji Nahas também foi ao velório de Pitta, mas evitou a imprensa e não deu declarações. Pitta foi preso em julho do ano passado durante a Operação Satiagraha, da Polícia Federal, acusado de suposto envolvimento em crimes financeiros, assim como Daniel Dantas e Naji Nahas. Todos foram libertados alguns dias depois. Segundo a PF, Pitta era sócio de Nahas e mantinha contas no exterior com dinheiro desviado de obras públicas durante seu mandato. Depois, esse dinheiro voltava para o Brasil por meio de doleiros. A defesa do ex-prefeito negou que ele tenha cometido qualquer um dos crimes.

Câncer

O ex-prefeito, que vinha lutando contra um câncer no intestino, morreu na noite de sexta-feira , no hospital Sírio Libanês.  Pitta estava internado desde 3 de novembro sob os cuidados das equipes dos médicos Raul Cutait e Paulo Hoff.

"Estão todos abalados. A atual convivente está muito abalada, descansando para ir ao velório depois. A mãe dele também está muito abalada. As pessoas com quem tive contato estão muito tristes e já estavam assim com o andamento da doença", afirmou nesta manhã o advogado do ex-prefeito, Remo Bataglia, em entrevista em frente ao hospital em São Paulo.

O advogado afirmou que na avaliação do próprio Pitta houve um agravamento de sua doença em decorrência do que ele passou em 2008 e 2009. Ele se referia a processos judiciais enfrentados pelo ex-prefeito na área de família e da Operação Satiagraha da Polícia Federal.

Segundo o advogado, Pitta enfrentou a doença com muita bravura. "Ele continuou fazendo exercícios e manteve sua dieta, porque era diabético", afirmou. Ele ressaltou que o ex-prefeito passava por dificuldades financeiras conhecidas, "inclusive não tendo como pagar pensão alimentícia" à ex-mulher Niceia Camargo. Pitta chegou a cumprir prisão domiciliar, por 30 dias, em maio deste ano em decorrência do não-pagamento da pensão alimentícia à ex-mulher.

De acordo com Battaglia, os processos em que Pitta estava envolvido terão continuidade mesmo após o falecimento do ex-prefeito, para apurar responsabilidades. Ele informou ainda que o patrimônio de Celso Pitta está bloqueado.

O estado de saúde de Pitta se agravou muito nos últimos dias e o quadro já estava irreversível. No dia 24 de janeiro, o ex-prefeito passou por uma cirurgia no mesmo hospital para retirada de um tumor no intestino.

A vida de Pitta

Formado pela Faculdade de Economia e Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Pitta era mestre em economia pela Universidade de Leeds, na Inglaterra, com curso de Administração Avançada em Harvard, nos Estados Unidos. Foi executivo de várias empresa, entre elas, a Eucatex, da família Maluf, onde trabalhou por mais de 10 anos.

Na vida política, Pitta foi secretário municipal das Finanças da gestão de Paulo Maluf (PPB) na prefeitura de São Paulo. Em 1996, Maluf lançou seu secretário como candidato a prefeito de São Paulo. Se Celso Pitta não for um grande prefeito, nunca mais votem em mim, repetia Maluf na campanha na televisão. Eleito com 57,37% do votos em 15 de novembro de 1996, Pitta assumiu o cargo de prefeito da maior cidade do País.

Celso Pitta esteve à frente da Prefeitura de São Paulo de janeiro de 1997 e dezembro de 2000. O mandato foi marcado por suspeitas de corrupção, com denúncias surgindo em março de 2000, principalmente por parte de sua ex-esposa Nicéia Camargo. As denúncias envolviam vereadores, subsecretários e secretários - entre as denúncias, está o escândalo dos precatórios. Ele foi afastado do cargo por 19 dias em 2000, acusado de usar a Prefeitura em beneficio próprio, mas foi reconduzido pela Justiça. 

No ano passado, Pitta teve seu nome envolvido nas investigações da operação Satiagraha, coordenada pela Polícia Federal. O ex-prefeito chegou a ser preso, mas foi libertado graças a um habeas-corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

*Com Agência Estado

Vídeo: Celso Pitta foi prefeito de São Paulo por 3 anos

Leia mais sobre: Celso Pitta 



    Leia tudo sobre: celso pitta

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG