Corpo da ex-primeira-dama Ruth Cardoso é enterrado no Cemitério da Consolação em SP

SÃO PAULO - O corpo da ex-primeira-dama Ruth Cardoso foi enterrado, nesta quinta-feira, no Cemitério da Consolação, no centro de São Paulo, por volta das 11h desta quinta-feira. Ruth morreu na terça-feira, em seu apartamento em Higienópolis, vitima de enfarte.

Luciana Fracchetta e Bruno Rico, do Último Segundo |

Agência Estado
FHC recebe abraço de Serra durante o enterro no Cemitério da Consolação

Centenas de pessoas acompanharam a cerimônia, que foi realizada de forma rápida. Emocionado, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que foi casado com dona Ruth por 55 anos, ficou ao lado dos filhos, Luciana, Beatriz e Paulo Henrique, e do governador de São Paulo, José Serra, e do ex-governador Geraldo Alckmin, que falou com a imprensa na saída do enterro.

"Presto o nosso sentimento, nosso carinho. Ninguém imaginava a gravidade da doença que ela tinha. Ficaram os bons exemplos de dona Ruth", afirmou Alckmin.

Ao chegar, o cortejo foi aplaudido por quem estava no cemitério. Sobre o caixão, foram colocadas as bandeiras do Brasil e de Araraquara, cidade natal da ex-primeira-dama.

O corpo da antropóloga deixou a Sala São Paulo, onde foi realizado o velório durante toda a quarta-feira, por volta das 10h. Nesta manhã, diversas pessoas ainda passaram pela Sala São Paulo para dar o último adeus. Entre elas, o senador Eduardo Suplicy.

"Eu estava em Belém e por isso só vim hoje. A Ruth foi uma mulher extraordinária, um exemplo de participação da mulher na vida acadêmica. Ela se entregou para a sociedade brasileira e todos nós deveríamos ter uma visão solidária com a dela, afirmou Suplicy.

Nesta quinta-feira, o velório foi aberto apenas para a família e amigos. Na porta, admiradores aguardaram a saída do cortejo. Mais de 160 coroas de flores foram enviadas à família.

Homenagens na quarta-feira

AE
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama Marisa Letícia chegaram por volta das 17h20 de quarta-feira à Sala São Paulo. Lula deixou Brasília no início da tarde, acompanhado de oito ministros, no Aerolula. 

O grupo chegou ao velório em uma van. Entre os acompanhantes do presidente estavam os ministros Dilma Roussef (Casa Civil), Nelson Jobim (Defesa), Franklin Martins (Comunicação Social), Fernando Haddad (Educação), José Múcio (Relações Institucionais), Edison Lobão (Minas e Energia), Miguel Jorge (Desenvolvimento) e Hélio Costa (Comunicações).

Também saíram de Brasília o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, o líder do governo no Senado, Romero Jucá, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio, e a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva.

O presidente se dirigiu diretamente ao antecessor, Fernando Henrique Cardoso, e permaneceu por alguns minutos ao lado do caixão de dona Ruth. Pouco depois das 18h, Lula e os ministros deixaram o local. O presidente não quis se pronunciar, mas, mais cedo, afirmou em nota que recebeu "com surpresa e pesar a notícia do falecimento, que é uma grande perda para o País".

Pela manhã, Fernando Henrique Cardoso recebeu telefonemas de pesar do ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, da mulher dele, Hillary, e do rei da Espanha, Juan Carlos.

Cúpula tucana

A cúpula do PSDB compareceu em peso ao velório. O partido cancelou as comemorações dos 20 anos de sua formação, que ocorreriam na quarta-feira em Brasília. Foram prestar suas últimas homenagens à dona Ruth o ex-governador e candidato a prefeito de São Paulo Geraldo Alckmin (SP) com sua mulher, dona Lu, os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG), o presidente tucano, Sérgio Guerra, o senador Tasso Jereissati (CE) e o deputado federal e ex-ministro de FHC Paulo Renato de Souza (Educação), entre outros.

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), também esteve no velório da ex-primeira-dama. Ele chegou acompanhado pelos secretários municipais da Educação, Alexandre Schneider, e dos Transportes, Alexandre de Morais. O prefeito decretou luto oficial de três dias no município.

Também compareceram no local a ex-prefeita e pré-candidata a prefeita Marta Suplicy (PT-SP) -com o marido, Luis Favre-, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), os senadores Aloizio Mercadante (PT-SP) e Romeu Tuma (PTB-SP), o ex-governador e candidato a prefeito Paulo Maluf (PP-SP), os ex-ministros José Carlos Dias (Justiça) e Raul Jungmann (Desenvolvimento Agrário) e o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), também os deputados Aldo Rebelo, ACM Neto e Rodrigo Maia, entre outros.

O presidente Lula decretou, na quarta-feira, luto oficial de três dias -também decretado pelo governador de São Paulo, José Serra, e pelo governo de Minas.

Problemas cardíaco

AE

A antropóloga morreu na noite de terça-feira, no apartamento da

família, em Higienópolis (região central da cidade), vítima de um enfarte fulminante. A ex-primeira-dama estava ao lado do filho. Fernando Henrique Cardoso não estava no apartamento, mas chegou em poucos minutos.

Ruth Cardoso tinha problemas cardíacos havia mais de seis anos e já havia passado por duas cirurgias para a implantação de stents - próteses metálicas colocadas no interior das artérias coronarianas para a desobstrução do fluxo sanguíneo.

A ex-primeira-dama foi internada na última quinta-feira no Hospital Sírio Libanês com fortes dores no peito que foram diagnosticadas como uma crise de angina - falta de irrigação sanguínea nos músculos cardíacos. Ruth permaneceu internada até segunda-feira de manhã, quando recebeu alta.

No mesmo dia foi internada no Hospital do Rim e Hipertensão (ligado ao Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo), na rua Borges Lagoa, zona sul de São Paulo, onde passou por um cateterismo - procedimento invasivo para diagnosticar ou corrigir problemas cardíacos.

Dessa vez, passou menos de 24 horas internada e foi liberada pelos médicos para ir para casa. Segundo o cardiologista Arthur Beltrame, médico que fazia o acompanhamento da ex-primeira-dama, o procedimento foi considerado bem sucedido pela equipe clínica. Ela tinha problemas coronarianos há mais de seis anos e hoje teve uma morte súbita, afirma.

Beltrame explica que não havia motivos para mantê-la internada. O cateterismo foi considerado normal e os médicos estavam contentes com o resultado. No entanto, a medicina não é uma ciência exata, não é onipotente, afirma.

No velório, o cirurgião do hospital Sírio Libanês Raul Cutait, amigo da família, disse concordar com a avaliação de Beltrame. "Para quem tem o tipo de problema que dona Ruth tinha, a morte súbita não é incomum. Diante do quadro que havia, acredito que não tenha havido precipitação dos médicos ao dar alta", afirmou.

Em nota do Hospital do Rim e Hipertensão, lida em frente ao prédio da família, os médicos afirmaram que o problema arterial encontrado durante o cateterismo é o mesmo que já havia sido diagnosticado em 2004. De acordo com a nota, Ruth teve uma forte arritmia cardíaca antes de morrer. O comunicado é assinado pelos cardiologistas do Hospital do Rim e Hipertensão e da Unifesp, Arthur Beltrame, Valter Lima e Edson Stefanini.

(*com informações de Juliana Simon e Lectícia Maggi)

Em vídeo, amigos se despedem de dona Ruth Cardoso:

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