SÃO PAULO - O corpo da ex-primeira-dama Ruth Cardoso foi enterrado, nesta quinta-feira, no Cemitério da Consolação, no centro de São Paulo.

O enterro foi acompanhado por uma grande quantidade de pessoas. Ao chegar, o cortejo foi aplaudido por quem estava no cemitério. Sobre o caixão, foram colocadas as bandeiras do Brasil e de Araraquara, cidade natal da ex-primeira dama.

O cortejo deixou a Sala São Paulo, local do velório, por volta das 10h desta quinta-feira. O enterro está marcado para ocorrer às 11h.

A movimentação de autoridades e amigos foi intensa no velório nesta quinta-feira de manhã. Passaram por lá o ex-governador do Rio Grande do Sul Antonio Britto, o ex-ministro do Desenvolvimento Luiz Fernando Furlan, o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, os senadores Arthur Virgílio e Álvaro Dias, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves e o cardeal D. Odilio Scherer.

O senador Eduardo Suplicy, compareceu ao velório e afirmou que recebeu a notícia da morte da ex-primeira-dama com muita tristeza. "Eu estava em Belém e por isso só vim hoje. A Ruth foi uma mulher extraordinária, um exemplo de participação da mulher na vida acadêmica. Ela se entregou para a sociedade brasileira e todos nós deveríamos ter uma visão solidária com a dela.

Nesta quinta-feira, o velório foi aberto apenas para a família e amigos. Algumas dezenas de pessoas se concentraram na porta da Sala São Paulo e aplaudiram quando o carro funerário deixou o local.

Desde às 11h da quarta-feira, familiares, amigos e admiradores da antropóloga estiveram na Sala São Paulo, no centro da capital paulista. O local também foi lotado por cerca de 162 coroas de flores enviadas por instituições do País inteiro.

Fernando Henrique, casado desde 1953 com dona Ruth, despediu-se de forma carinhosa e emocionada da esposa durante o velório na quarta-feira. O ex-presidente da República permaneceu o tempo todo ao lado do corpo da mulher recebendo os pêsames das pessoas. O filho do casal, Paulo Henrique, e a filhas Luciana e Beatriz o acompanham. Beatriz só chegou no início da noite, vinda da Europa - motivo pelo qual o enterro ocorrerá na manhã de quinta-feira.

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Ex-presidente FHC se despede de dona Ruth Cardoso
Casados desde 1953, ex-presidente FHC se despede de dona Ruth Cardoso

Homenagens na quarta-feira

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama Marisa Letícia chegaram por volta das 17h20 à Sala São Paulo. Lula deixou Brasília no início da tarde, acompanhado de oito ministros, no Aerolula. 

O grupo chegou ao velório em uma van. Entre os acompanhantes do presidente estavam os ministros Dilma Roussef (Casa Civil), Nelson Jobim (Defesa), Franklin Martins (Comunicação Social), Fernando Haddad (Educação), José Múcio (Relações Institucionais), Edison Lobão (Minas e Energia), Miguel Jorge (Desenvolvimento) e Hélio Costa (Comunicações).

Também saíram de Brasília o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, o líder do governo no Senado, Romero Jucá, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio, e a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva.

O presidente se dirigiu diretamente ao antecessor, Fernando Henrique Cardoso, e permaneceu por alguns minutos ao lado do caixão de dona Ruth. Pouco depois das 18h, Lula e os ministros deixaram o local. O presidente não quis se pronunciar, mas, mais cedo, afirmou em nota que recebeu "com surpresa e pesar a notícia do falecimento, que é uma grande perda para o País".

Pela manhã, Fernando Henrique Cardoso recebeu telefonemas de pesar do ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, da mulher dele, Hillary, e do rei da Espanha, Juan Carlos.

Sobre o caixão da ex-primeira-dama, foram colocadas as bandeiras do Brasil e de Araraquara, cidade do interior paulista onde a antropóloga nasceu há 77 anos.

Cúpula tucana

A cúpula do PSDB compareceu em peso ao velório. O partido cancelou as comemorações dos 20 anos de sua formação, que ocorreriam neta quarta-feira em Brasília. Foram prestar suas últimas homenagens a dona Ruth o ex-governador e candidato a prefeito de São Paulo Geraldo Alckmin (SP) -com sua mulher, dona Lu-, os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG), o presidente tucano, Sérgio Guerra, o senador Tasso Jereissati (CE) e o deputado federal e ex-ministro de FHC Paulo Renato de Souza (Educação), entre outros.

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), também esteve no velório da ex-primeira-dama. Ele chegou acompanhado pelos secretários municipais da Educação, Alexandre Schneider, e dos Transportes, Alexandre de Morais. O prefeito decretou luto oficial de três dias no município.

Também compareceram no local a ex-prefeita e pré-candidata a prefeita Marta Suplicy (PT-SP) -com o marido, Luis Favre-, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), os senadores Aloizio Mercadante (PT-SP) e Romeu Tuma (PTB-SP), o ex-governador e candidato a prefeito Paulo Maluf (PP-SP), os ex-ministros José Carlos Dias (Justiça) e Raul Jungmann (Desenvolvimento Agrário) e o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), também os deputados Aldo Rebelo, ACM Neto e Rodrigo Maia, entre outros.

O presidente Lula decretou, nesta quarta-feira, luto oficial de três dias -também decretado pelo governador de São Paulo, José Serra, e pelo governo de Minas.

Problemas cardíacos

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A antropóloga morreu na noite de terça-feira, no apartamento da família, em Higienópolis (região central da cidade), vítima de um enfarte fulminante. A ex-primeira-dama estava ao lado do filho. Fernando Henrique Cardoso não estava no apartamento, mas chegou em poucos minutos.

Ruth Cardoso tinha problemas cardíacos havia mais de seis anos e já havia passado por duas cirurgias para a implantação de stents - próteses metálicas colocadas no interior das artérias coronarianas para a desobstrução do fluxo sanguíneo.

A ex-primeira-dama foi internada na última quinta-feira no Hospital Sírio Libanês com fortes dores no peito que foram diagnosticadas como uma crise de angina - falta de irrigação sanguínea nos músculos cardíacos. Ruth permaneceu internada até segunda-feira de manhã, quando recebeu alta.

No mesmo dia foi internada no Hospital do Rim e Hipertensão (ligado ao Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo), na rua Borges Lagoa, zona sul de São Paulo, onde passou por um cateterismo - procedimento invasivo para diagnosticar ou corrigir problemas cardíacos.

Dessa vez, passou menos de 24 horas internada e foi liberada pelos médicos para ir para casa. Segundo o cardiologista Arthur Beltrame, médico que fazia o acompanhamento da ex-primeira-dama, o procedimento foi considerado bem sucedido pela equipe clínica. Ela tinha problemas coronarianos há mais de seis anos e hoje teve uma morte súbita, afirma.

Beltrame explica que não havia motivos para mantê-la internada. O cateterismo foi considerado normal e os médicos estavam contentes com o resultado. No entanto, a medicina não é uma ciência exata, não é onipotente, afirma.

No velório, o cirurgião do hospital Sírio Libanês Raul Cutait, amigo da família, disse concordar com a avaliação de Beltrame. "Para quem tem o tipo de problema que dona Ruth tinha, a morte súbita não é incomum. Diante do quadro que havia, acredito que não tenha havido precipitação dos médicos ao dar alta", afirmou.

Em nota do Hospital do Rim e Hipertensão, lida em frente ao prédio da família, os médicos afirmaram que o problema arterial encontrado durante o cateterismo é o mesmo que já havia sido diagnosticado em 2004. De acordo com a nota, Ruth teve uma forte arritmia cardíaca antes de morrer. O comunicado é assinado pelos cardiologistas do Hospital do Rim e Hipertensão e da Unifesp, Arthur Beltrame, Valter Lima e Edson Stefanini.

(com informções de Juliana Simon e Lectícia Maggi)

Em vídeo, amigos se despedem de dona Ruth Cardoso:

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