Coronel diz que colocaria o próprio filho para ajudar em negociações

SÃO PAULO - O coronel Eduardo José Félix de Oliveira, comandante-geral do Policiamento de Choque da Polícia Militar, que participou da operação de resgate da jovem Eloá, sequestrada pelo ex-namorado, afirmou que colocaria o próprio filho para ajudar nas negociações, ao comentar ação mais polêmica dos policiais: a permissão para a volta ao cativeiro de Nayara, de 15 anos, amiga de Eloá.

Amanda Demetrio - Último Segundo |

Acordo Ortográfico Ao relatar como foram as negociações entre os policiais militares e o sequestrador, o industriário Lindembergue Fernandes Alves, de 22 anos, o coronel disse que o plano não era Nayara entrar novamente no apartamento.

A idéia, segundo ele, era que a adolescente se aproximasse da porta, acompanhada pelo irmão de Heloá, para ajudar nas negociações. Mas ela reagiu de forma inesperada e entrou no apartamento, disse, em entrevista coletiva à imprensa na manhã deste sábado.

Questionado sobre se ajudar nas negociações não seria muita responsabilidade para uma menina de apenas 15 anos, ele disse que Nayara estava calma e que, apesar da idade, "é uma menina de muita responsabilidade". Felix de Oliveira afirmou que colocaria o próprio filho na mesma situação de Nayara.

O comandante afirmou que o resultado final do sequestro ¿ os tiros disparados contra Eloá e sua amiga, Nayara - foi provocado pelo rapaz e não pelas ações do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais).

"A invasão só seria em último caso. Fizemos de tudo para preservar a vidas das três pessoas que estavam no apartamento. Lindembergue apresentou em todo o tempo picos de alternâncias de humor. Quem provocou esse desfecho de invasão foi o responsável pela crise", afirmou o coronel, defendendo o Gate, como "um dos grupos mais bem preparados, não só no Brasil".

Oliveira reforçou a força do Gate dizendo que as estatísticas falam a favor do grupo e assumiu todas as responsabilidades das atitudes da operação. Toda a operação foi administrada por mim, não vou me eximir das responsabilidades, disse.

A política da polícia, segundo ele, durante todas as negociações foi de preservar a vida de Lindembergue, Nayara e Eloá e seguir o caminho da conversa. Desta maneira, ele justificou o fato de a polícia não ter atirado no rapaz quando teve chance e não ter invadido o apartamento antes da noite da última sexta-feira. Quero deixar claro que não importava quantas noites iríamos continuar lá, a intenção não era entrar, finalizou.

Momentos finais

Sobre os momentos finais do sequestro, o coronel disse que teriam ocorrido cinco disparos nos momentos finais do seqüestro, mas a perícia ainda não definiu a quantidade de tiros. Um deles atingiu a parede, dois acertaram Eloá e outro, Nayara.

"Ele deu o primeiro tiro. No momento da entrada dos policiais, ele descarregou a arma e atirou inclusive contra a nossa equipe. Confio 100% na minha equipe. Eles não invadiriam o apartamento se não tivesse ocorrido o disparo", acrescentou o coronel.

Por fim, o coronel lamentou as circunstâncias da concessão da coletiva. A gente gostaria de estar dando esta entrevista de uma forma diferente, mas as ações do Gate sempre envolvem risco de morte, disse.

Antes da invasão

O coronel Oliveira contou um pouco dos momentos que antecederam a invasão do apartamento. Segundo ele, na sexta-feira, ele disse que queria não ser preso e, quando foi informado de que isto não seria possível, pediu uma garantia de ir para presídio e cela especiais e a garantia de sua integridade física. A presença de sua irmã e cunhado também foram solicitadas.

Cumpridas todas as exigências, os policiais foram para um apartamento no andar debaixo do em que acontecia o sequestro para esperar que ele se entregasse. Mas ele voltou depois e disse que ainda tinha muito a resolver com ela [Eloá] e, neste momento, ele pediu a saída de todos, disse.

Lindembergue teria pedido, ainda, a substituição do negociador que estava no posto. Eu peço que você mude para não te prejudicar, teria dito, demonstrando um certo grau de apego com o comandante do Gate, Adriano Giovanini.

Oliveira conta que e equipe se mobilizou nas tentativas de acalmar o rapaz e reverter o quadro considerado como depressivo pela corporação. Apesar das tentativas, o rapaz se descontrolou e, segundo o coronel, deu o primeiro tiro, que foi seguido pela invasão.

Dúvidas comuns

O coronel da PM respondeu, também, a algumas dúvidas comuns que surgiram sobre a conduta da polícia. Sobre se a polícia sabia quando e onde ele dormia, Oliveira disse que a polícia não tinha tais informações.

Apenas a Nayara, quando esteve fora do cativeiro, teria dito que cada dia ele dorme em um lugar e ele acende a televisão para dar a impressão de estar acordado. A polícia tinha apenas mecanismos de escuta lá dentro e ouvia as conversas ¿ que alternavam conversas de amigos e brigas, conta o coronel.

Muitos levantaram a possibilidade de se colocar sonífero ou algum gás na comida mandada a Lindembergue para que ele pudesse dormir. Segundo Oliveira, os remédios demoram até 15 minutos para fazer efeito e, neste meio tempo, o rapaz poderia se sentir traído e colocar as pessoas em risco.

O fato de os policiais não terem cortado o celular do rapaz dentro da casa também foi questionado. O policial disse que o telefone fixo foi, sim, cortado, mas os procedimentos para se cortar um celular seriam muito demorados, até para a polícia. Além disso, o celular era a única ligação entre negociador e sequestrador.

(Com informações da Agência Estado)

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Médicos explicam estado de saúde de Eloá e Nayara

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