Coppola conta histórias de família na Croisette

Francis Ford Coppola mergulhou nesta quinta-feira a Croisette em sombrias histórias de família com Tetro, um filme muito pessoal rodado na Argentina que abriu a Quinzena dos Realizadores em Cannes, mais habituada a receber novatos do que gigantes de Hollywood.

AFP |

Muito sorridente, o cineasta premiado com a Palma de Ouro em duas oportunidades, foi calorosamente aplaudido por uma sala feliz em ver de perto uma lenda viva, ao final da primeira exibição do filme aberta à imprensa e ao público e seguida de um debate.

Ele estava acompanhado de sua esposa Eleanor, de seu filho Roman e de dois atores do filme, Alden Ehrenreich e Maribel Verdu.

"Tetro", rodado na Argentina quase que totalmente em preto e branco, à exceção de algumas cenas em cores evocando de maneira incomum o passado, conta a história de uma família marcada por um pai autoritário.

Benjamin, primeiro papel de um sedutor Alden Ehrenreich, encontra seu irmão (Vincent Gallo) em Buenos Aires. Este, um escritor fracassado, deixou dez anos antes a família e os Estados Unidos, para fugir de um pai desprezível (Klaus Maria Brandauer), famoso maestro.

"Ninguém de quem contamos a história chegou, mas tudo é verdadeiro", afirmou, enigmático, o cineasta que não escondeu ao longo da entrevista que havia dirigido um de seus filmes mais pessoais.

"Quando fiz 'O Poderoso Chefão', não sabia nada de gangsters, nunca tinha me encontrado com eles", disse sorrindo. "Sabia que eram originários da Itália, como minha família, então dei a eles hábitos de família, uma forma de comer, de falar".

"Para 'Tetro', mesmo que minha família não venha da Argentina, pensei que seria uma boa oportunidade de transferir algumas coisas para a Argentina", disse.

"Tetro" é, depois de "Caminhos mal traçados" e "A Conversação", o terceiro filme da longa carreira de Coppola no qual o roteiro original foi escrito por ele. "Eu o escrevi em minhas horas livres, no final de semana, durante a rodagem de meu último filme", afirmou o cineasta, de 70 anos.

"Intitulei os filmes 'Poderoso Chefão, de Mario Puzo' e 'Drácula, de Bram Stocker' porque não me considerava o único autor, isto seria injusto", explicou o cineasta. O "trabalho mais difícil e mais essencial é o de escrever. Queria fazer um filme no qual eu fosse o autor", acrescentou.

O filme, de uma linda fotografia, utiliza muito bem o magnetismo, a sinceridade e a energia dos atores, alternando emoção e humor. Infelizmente, o filme é um pouco mais longo do que o necessário, com cenas inúteis e melodramáticas.

ff/dm

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